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domingo, 2 de maio de 2021

A casa da minha meninice: quando infância era ser menina

Imagem com a gata Maria Eugênia apresentando o conteúdo "A casa da minha meninice: quando infância era ser menina"
Este conteúdo retrata um instante de meu tempo de menina.  A visão primeira
da casa e da rua de minha infância nada perdida. Um mergulho em meu passado na reconstrução de mim mesma.

Você está no segundo conteúdo do caminho Memórias de Mim. 

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A CASA DA MINHA MENINICE

QUANDO INFÂNCIA ERA SER MENINA

 

 A MESA NO MEIO DA SALA E O CAMINHO NO MEIO DO MATO 

Era uma casa tosca um tanto quanto no meio do mato. A casa da minha infância que nem infância era. Era a minha meninice. A casa do meu ser menina então. Do lado de dentro, uma sala de chão batido como se fosse única. Uma mesa desnuda no meio da sala. Sobre ela um amontoado de coisas. Ao lado dela uma porta que hoje eu sei. Era a porta do quarto das mulheres. Do lado de fora, uma fileira de pedras com ares de calçada se alongava ao pé da parede como a proteger numa barricada. A parede parecia não menos tosca do que a sala lá dentro. Em frente à porta, duas ou quatro pedras se distribuíam em degraus como a preparar a subida de quem entrava. Ou a descida de quem saía. 

Começando nas pedras enfileiradas, podia-se observar um extenso vão de chão varrido a manter os matos afastados da casa. Era o terreiro da frente da casa. Um terreiro regado a vassouras a se estender até a rua que passava ali em frente. Rua era só um modo de dizer para não dizer um caminho meio enviesado. Um caminho que parecia naturalmente aprimorado nas pedras. Mas logo se perdia de vista de um lado e do outro. Fugia de meus olhos entre os galhos retorcidos que teimavam em se esparramar para dentro da viela tosca. Logo mais adiante depois do seu atravessar, só o verde das árvores a também se perder de meu olhar. A ganhar um rumo que eu nem sabia. Mas via que se findava no encontro com o céu num horizonte que de tão longe eu nem atinava.

Dentro de casa, eu me erguia na ponta dos pés à procura de alguma coisa. Com uma mão, eu me apoiava à mesa enquanto a outra parecia se perder em meio ao amontoado de coisas sobre ela. Talvez procurasse algum copo. Certamente procurava algum copo, pois logo depois eu estava na porta jorrando água boca a fora numa cusparada sem medida. O sabor era de carne crua. Minha mão esfregava um canto a outro da boca como a livrá-la daquele sabor. O copo ainda se mantinha preso à outra mão. Meu olhar o fixava insistentemente como a censurá-lo por aquele infortúnio. Não entendia o porquê daquele sabor. A repulsa e o nojo era o que me ocorria.

Mas minha atitude intempestiva parece ter provocado a minha mãe. Ou teria sido outra pessoa? Desse saber de nada eu sei. Mas sei da repreensão sofrida. Uma atitude que me fizera recolocar na mesa o copo com sabor de carne crua. Alguém me censurara por meu ato desmedido. Repreendera-me veementemente. Com certeza um despropósito aquela cusparada aos olhos das pessoas mais velhas de casa.    Aos olhos delas eu teria passado muito vexame por pouca coisa. Afinal, que mal me faria aquela água com sabor de carne crua?

Então nada me restava senão seguir para a porta e de lá observar o mundo lá fora. O mundo que não ia além dos matos a se perderem de minha vista num acolá não tão distante. Que se iniciava naquelas pedras ao pé da parede e atravessava aquele terreiro regado a vassouradas. Que se perdia de meu olhar logo ali de um lado e do outro do caminho enviesado e ladeado de matos. Mas era o mundo que me aprazia na porta onde eu estava. Certamente eu me deleitava naquelas cenas sob os meus olhos pela primeira vez.

Não fazia muito tempo que eu estava numa calçada à beira de uma rua. Como lá, eu não sabia também dos paradeiros do cenário que via. Era ainda a minha mesma existência ainda tão frágil. De um momento sozinha numa calçada eu me via então dentro de casa no limiar de uma porta. Nem nevoeiro havia. Nem sol. Só o meu olhar vagando em busca dos meus novos aprendizados. Mas de uma coisa eu já dava conta. Havia uma casa. E nela eu estava do lado de dentro. Havia gente que se preocupava comigo e me repreendia.

Mas do resto só o tempo me diria. Somente o tempo no seu transcorrer. No seu transmutar todas as coisas. Também possíveis marcas que me deixaria. Marcas cujo tempo no seu transmutar me faria entendê-las quando as buscasse em minhas recordações. Então mais uma vez eu teria que esperar o passar do tempo para as minhas respostas.  As respostas àquela vivência que de tão frágil não ia muito além daquele caminho em frente a minha casa. A casa da minha infância onde eu passaria a minha meninice. A minha meninice. Disso eu dava conta.


REMINISCÊNCIAS: EM BUSCA DO MEU SER MENINA 

O tempo voou a asas largas. Encurtou distância entre o meu instante no limiar daquela porta e aquele na minha janela para o mundo. O mundo que se alongava para além do lado de dentro do muro. Que se lançava ao longe ora nas linhas de escritos diversos, ora nas asas de minhas recordações, ora na força da minha imaginação. Mas de qualquer que fosse o ângulo, eram vivências que ganhavam forma nas linhas e na força do meu pensamento. Vivências embaladas no balançar da rede que rangia e se revolvia a cada empurrar do pé na parede. O pontapé cuja força lançava a rede no ar no mesmo ir e vir da minha memória em busca de mim mesma. Dos meus perdidos na estrada da vida.

Numa sucessão de imagens eu me deparo em meio àquelas minhas primeiras vivências. Reminiscências em resgate. Aquelas que dão conta de mim no meu principiar na estrada da vida. Uma sala de chão batido e uma mesa cheia de coisas. O copo e a água com sabor de carne crua. A cusparada à porta da rua. A repreensão pelo ato sem medida. Meus instantes primeiros na minha nova casa. A casa da minha infância. Do meu ser menina.  A casa cujas pessoas não se mostraram à minha memória. Como na calçada, lá também não vi pessoas. As pessoas da minha vida demoravam a entrar nas minhas lembranças. Embora sabendo que elas compunham aqueles cenários, não ganhavam forma. Embora sabendo que talvez fosse minha mãe a me repreender, dela eu não lembro. Não naquela vivência.

Mas quando a memória não dava conta, eis que a minha imaginação tomava assento. O porquê da água com sabor de carne crua. Então eu sabia. Não restavam dúvidas. Na viagem, carnes e teréns da cozinha haviam se misturado. Lembrar eu não lembro. Mas minha mãe certamente havia depenado o galinheiro e estrebuchado algum porco ou bode para se deixarem transportar sem reclames. Ou teria sido apenas o galinheiro pela ausência mesma de bichos maiores? Ou teria sido engenho de minha avó Aiá para suprir necessidades de minha mãe? Afinal, zelo de mãe é cuidado que não se acaba. Ainda mais quando sabe que há netos e netas envolvidos e envolvidas.

De tais vivências de nada eu atinava. Era menina demais para o saber. O certo é que bichos haviam sido mortos. Mortinhos da silva. Até consegui ver os olhos arregalados deles diante da atrocidade que lhes findara a vida. Arregalados sem ver. Sem sentir. Sem saber que suas vidas foram finitas antes mesmo de tomarem a estrada da mudança de casa. Até consegui ver seus corpinhos retalhados e espremidos em algum saco. Ou nalguma cesta. Um e outro disputando um lugar no jacá com as demais coisas da casa. No jacá, onde os teréns com certeza se misturaram na hora da partida. Então não era difícil saber o porquê do copo tornando a água com gosto de carne crua. Ele com certeza fora parar naquele jacá onde se juntaram tudo o quanto era coisa pequena.

Até eu própria devo ter parado lá. Imagine eles então! Retalhos de carne prontos para guloseimas como rumo mais certo. Quisera a minha sede de água que eu fosse a primeira a sentir o gosto deles. Sabor de carne crua naquele copo d’água que me ocorrera saciar a sede. Que fizera pular em seu peito a repulsa e o nojo. Mas também o agir ligeiro de despejar boca a fora. Certamente tão logo finquei os pés naquela sala de chão de terra batida. Meu primeiro ato na minha nova casa. Lembranças vagas, imagens opacas, mas bem preservadas na minha memória.

Então eu sabia. Minhas reminiscências me diziam. Aquela mesa não estava sozinha naquela sala. Havia uma bilheira ao lado da porta da rua. A porta de quem chegava e de quem saía por uma descida e subida sedimentada de pedras. Era o degrau ao qual se ligava o batente da porta. A bilheira que acomodava os potes de beber na sua base e os copos em apoios superiores. E ficava logo ali ao lado da porta que dividia os dois lados da casa. De um lado, uma pequena sala vazia seguida de um quarto de frente para o outro. Fora isso, a cozinha de onde se seguia para o quintal.

Mas então em vez do quintal meu rumo foi a porta da rua. A porta de chegada à minha casa. O mesmo vestido de outrora à mesa na ponta dos pés. Daquela porta eu olhando a cena em frente à casa. A minha nova casa. Imagens fugazes de pedras formando o batente à entrada da porta. Outras se estendendo ao longo da parede como num desejo meio acanhado de protegê-la. O terreiro que se alongava para além daquelas pedras como a proteger os arredores da casa. A rua que se estendia em seu curso meio escondida entre um mato e outro. A minha nova casa no subúrbio da cidade. Ali onde o urbano ainda não chegara.

Então eu sabia. Aquele era o meu primeiro olhar diante do meu novo mundo. Aquele que cabia todinho no limite que meus olhos alcançavam. Um mundo que colocava minha casa numa região de mato e terreno pedregoso. De horizonte limitado a um amontoado de galhos e folhas às margens do caminho. Um caminho meio íngreme cuja passagem em frente à minha casa me fazia crer que por ele não se ia muito além da porta onde naquele momento eu me encontrava.

Naquela minha pouca idade, porém, eu jamais poderia imaginar o quão longe me levaria aquele caminho. E quantas e muitas vezes ele me levaria e traria de volta sã e salva das minhas andanças pelo meu mundo afora. Ainda que no fim das contas esse mundo não passasse das minhas idas e vindas por outros caminhos não tão distantes daquele lugar. Lugar que não demoraria muito para eu chamar de meu. O meu bairro. Um bairro no subúrbio. Da mesma forma, o meu mundo não passasse das minhas idas e vindas por outras ruas e percursos da cidade que logo eu chamaria de minha. O meu mundo afora do meu caminhar e do meu viver.


Você terminou de conhecer o segundo conteúdo do caminho Memórias de Mim.

Espero que tenha gostado e acompanhe os conteúdos seguintes.

A você, meus agradecimentos!

Deus esteja com você!

Sônia Ferreira

Teresina, 02 de maio de 2021.


Imagem com a gata Maria Eugênia convidando leitores e leitoras para se inscreverem no blog e o seguir.
Maria Eugênia: a guia de conteúdo do caminho Memórias de Mim.




 


domingo, 18 de abril de 2021

Meu Ser no Mundo: até onde me leva minha memória na busca de vivências

 

Imagem com a gata Maria Eugênia apresentando o conteúdo Meu Ser no Mundo: até onde vai a memória na busca de vivências?
Meu Ser no Mundo é o limite de minha memória. É lá onde param as minhas
vivências na busca de mim mesma.

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MEU SER NO MUNDO 

ATÉ ONDE ME LEVA MINHA MEMÓRIA NA BUSCA DE VIVÊNCIAS


A CALÇADA E A RUA SOB O NEVOEIRO

O dia acabara de amanhecer. Ainda se podia ver por detrás dos matagais distantes um nevoeiro pálido a definhar mais e mais. A anunciar que a noite se findava. A ceder lugar aos primeiros raios de sol que logo atravessariam ruas, becos e ruelas da cidade.  Na rua que dividia os dois lados da cidade eram os resquícios da noite que ainda se via. Uma penumbra persistente a se dispersar pelas paredes das casas e se alojar entre uma calçada e outra. Era o que restava da solidão da noite a se mostrar naquela rua que parecia tão só.

Da calçada onde eu estava eu olhava aquele irromper do dia. Mas sem me dá conta de mim mesma, O alvorecer de mais um dia da minha ainda tão tenra vida. Tentava apreender tudo o que meus olhos podiam alcançar naquele meu campo de vista ainda tão frágil. De tão pueril. Mas certamente não vislumbrava nada além do que o meu estranhamento diante daquela penumbra que atravessava o meu olhar. Aquele irromper da aurora tão meio escuro de uma manhã que não se decidia a se mostrar completa. Uma rua solitária que nenhum transeunte parecia querer enfrentar naquele instante. Aquele nevoeiro disperso que não me deixava ver as casas do outro lado da rua. As casas que hoje sei estavam lá. E nenhum daqueles raios de sol que se mostravam ao longe. Aqueles raios que pareciam não querer adentrar aquelas paragens para anunciar o novo dia com sua claridade devida.

Eu não sabia. Nem poderia saber. Minha existência ainda tão parca de nada poderia atinar. Nem mesmo da minha estada naquela calçada. Daquele momento sozinha à beira daquela rua dominada pelo silêncio. Era só o que se ouvia. De resto, só o nevoeiro que a escondia. Mas dele também de nada eu parecia dar conta. Não por mim mesma. Não naquele instante. Nem naqueles tempos. Talvez nem noutros tempos próximos ou distantes. Mas seria preciso que se corresse o tempo para que eu própria tentasse buscar as minhas respostas. Somente o tempo no seu transcorrer e as marcas em mim deixadas é que me diriam se eu daria conta ou não daquele instante. Daquela vivência que de tão frágil parecia não ir além daquele final de rua cujo nevoeiro não me deixava ver.


REMINISCÊNCIAS: EM BUSCA DA VIVÊNCIA PRIMEIRA

O tempo correu no seu curso devido. Um voo a asas largas entre o instante na calçada e aquele em que eu me encontrava naquele instante triturando os meus pensamentos. No quarto onde eu estava, somente o gemido quase inaudível do balançar da rede a me embalar. A acolher meus pensamentos. Num impulso, um socar a parede com a ponta do pé para ver a rede se lançar no ar. No outro, uma canoa a flutuar no meio do quarto. Um arco do tipo pingue-pongue com ares de bumerangue.

Aquela rede meio de frente para a janela era o meu fiel depositário de minhas reminiscências. Meu porto seguro de muitas tardes e noites. De minhas buscas de mim mesma. De minhas leituras de mundo. O mundo que parecia se acomodar aos meus olhos começava e terminava bem ali. Entre a grade da janela e o muro da divisa que me acostumara a ver pelo meu lado de dentro. A minha janela para o mundo. Como eu pensava.

Mas era o mundo que me transportava. Que me levava e trazia. Que me fazia visitar recôncavos distantes. Ainda que sob as folhas de um livro. De uma revista. De um quadrinho. O mundo que me levava a outras paragens. Como naquele momento. Eu à cata de mim mesma nas asas das minhas recordações. No voar da minha imaginação. Pouco me importava se o sol queimava lá fora. Se a lua se escondia sob as lâmpadas das ruas mal-acabadas. Se a chuva molhava o banco quebrado da praça.  Se o transeunte atravessava os buracos no asfalto. Se o gemido cortava o silêncio em prantos inaudíveis. De nada eu dava conta. Não naquele instante. Não da minha janela para o mundo.

Somente o estar comigo nas buscas de mim mesma me importava. Voltar a lugares que nem sabia quais. Mas minha memória me dizia. Lugares que eu quase nem dava conta de mim. Lá onde ficara o meu alvorecer. O início de minhas pegadas na estrada. Tão distante da minha janela para o mundo daquele momento. Mas nem foi preciso invocar à exaustão a minha memória na busca do que lá deixei.

Bastou eu abrir as portas do meu querer para as lembranças responderem aqui estamos. Carreadas na força de meus pensamentos, eis o meu mundo de vivências. Afinal, ao remexer a nossa memória, o nosso encontro não é com nós mesmos? Não é lá onde encontramos os nossos eus perdidos? Os pedaços de nós mesmos que por lá ficaram? Isolados ou em meio a outros tantos eles e elas? Lá onde nos defrontamos com os nossos monstros? Ou tecemos os fios que não se ligaram? Mas não é lá, onde encontramos as respostas do que perdemos ao longo da estrada? Não é lá, no mundo das vivências que não se mostram e das que saltam aos olhos?

Então naquele momento eu me encontrava à procura das minhas. À cata da minha aurora. Da minha vivência mais antiga. Aquela do meu principiar. O pontapé na parede levava a força de meus pensamentos. A rede revoava no ar enquanto eu mergulhava mais e mais à procura de minha parte a primeira da minha vida. Aquela que me daria ciência de mim mesma. Que eu poderia encontrar nas minhas reminiscências. Então me encontrei no prenúncio daquela manhã ainda sem sol. Naquela calçada onde intrigada eu inquiria aquela rua tão alheia ao meu olhar. Nem uma gota de pensamento a me dizer o que fazia naquela calçada àquela hora de um dia em seu nascedouro. Então a imaginação correu solta além do que a memória me trazia.

Mas pelo menos uma coisa era certa e dela eu já sabia. Não por minha memória. Não pela minha própria recordação. Mas pela de quem me contara. Aquela calçada era então apenas a divisa de onde eu vinha e para onde eu ia. Eu vinha do lugar onde até então vivera. Do torrão do meu nascimento. Então certamente eu deixava o débil vilarejo que me recebera no mundo. Talvez para nunca mais voltar. Dali a pouco eu estaria então na minha nova casa. Mas de nada disso eu dava conta. Não havia recordação naquele instante que me mostrasse um rumo qualquer. Que me fizesse saber que numa cidade distante dali eu viveria. Disso a idade da minha pequenez não dava conta nem pelo remexer da minha memória. Os outros ou as outras é que me contariam.

O que me despontava então era apenas aquele cenário turvo e esvoaçante que me lembrava uma manhã nas suas primeiras horas. Aquele momento em que quando abrimos a porta observamos o meio escuro lá fora. E vemos o despontar do amanhecer tomando o seu lugar. Afastando a penumbra da noite. Então eram cenas como aquelas o que eu via. Uma névoa esvoaçante escondendo um pequeno vulto na calçada. 

Então lá estava eu a menininha de mim mesma. Tudo muito embaçado no meu recordar. Tênue lembrança. Tanto que não me apraz afirmar aquele paradeiro. Imagino que não estivesse sozinha. Não em idade tão frágil. Não naquele mundo que se prolongava para além da calçada. Embora logo ali se findasse sob o nevoeiro espesso. De tão frágil vivência o meu recordar quase não dava conta. Talvez a minha memória estivesse perdida em meio àquele nevoeiro. Talvez o sol que nunca chegou àquelas paragens é que iluminaria o meu recordar completo.


MEU SER NO MUNDO: O ACONTECIMENTO E O CHOQUE

Minhas lembranças não me davam conta de muitas outras pessoas no meu despontar naquela calçada. Nem de poucas. Nem de uma sequer. Era eu e o mundo lá fora, restrito entre o começo e o fim daquela rua limitada por meu olhar. Eu e o meu ser no mundo no meu principiar. Mas também eu e o meu porvir. Eu e o meu despontar como gente no mundo. O meu despontar numa calçada a ermo.

Mas então naquele momento a minha janela para o mundo me dava conta de mim. Conta do meu para traz. O tanto que eu podia remoer os meus pensamentos em busca de respostas que haviam ficado. Que me revelassem os meus porquês de ser como aprendera a ser. De ver o mundo como aprendera a ver. De pensar como pensava. De entender o sentido das primeiras imagens de minha vida no meu crescimento como gente. Se teriam algum significado para o meu ser pessoa. Que significados teriam para a minha vida o fato de ter se percebido no mundo isolada de demais pessoas? Que nos importa à nossa construção como pessoas se ao nos perceber no mundo nos defrontamos com coisas ou com pessoas? Se estamos sozinhos ou em meio a multidões?

Então permaneço nas asas da minha imaginação. Seguindo caminhos nada trilhados até então. Não por mim. O pontapé na parede faz mais uma vez a rede revoar num arco flutuante no meio do quarto. No seu revoar, sigo embalada em meus pensamentos. Já não são apenas recordações. Mas também inferências que procuram ganhar formas nas mais variadas abstrações que a minha imaginação permite. Sob o meu primeiro olhar como ser no mundo, lá estão na minha memória uma calçada, uma rua e o meu próprio olhar. Imagino o estar na calçada como o estar um degrau acima de uma base. Um lugar fora da rua. Uma zona de segurança. Mas também o prolongamento de uma suposta retaguarda. Uma casa às minhas costas onde certamente estariam as pessoas que me detinham cuidados. Pessoas das quais a minha memória não dera conta.

Na primeira cena de minha vida eu me vejo então sozinha. Cena estanque. Nada de ação de continuidade. Retrato de penumbra. Assim são minhas primeiras lembranças a me revelarem o meu ser no mundo. Um fato, porém, desponta em relevância. Talvez o mais significativo. A saída da casa de minhas origens. A mudança de rumo. A criação de novos itinerários. O momento do choque. Talvez tenha sido esse o momento do meu primeiro choque na vida. Um grande choque. A mudança de casa de onde jamais saíra até então. O se perceber num lugar desconhecido. O meu primeiro acontecimento na vida. Um acontecimento de dantesca luminosidade. Não seria essa uma proeza digna de retidão por minha memória? 

Então da minha janela para o mundo eu sabia. Talvez não fosse tão menininha assim. Talvez já passassem por mim os meus quatro ou cinco anos. Mas não seria essa a idade das aprendizagens significativas? Então! Não seriam essas as imagens a me dizerem alguma coisa sobre mim? As primeiras imagens de minha vida. Uma calçada e uma rua sob intenso nevoeiro. Fora isso, o meu olhar que certamente buscava o inalcançável.

Fora isso, também, as minhas recordações e a minha imaginação se completando na compreensão de mim mesma. Diante de mim eu tinha então o visto e o não visto. O lembrado e o não lembrado. O afirmado e o negado pela memória. A ausência de pessoas nas lembranças que me revelavam como ser no mundo. Ninguém segurando minha mão. A mão de uma menina à beira da calçada meio escondida sob intenso nevoeiro. A memória negada.

Hoje eu sei. Transcorriam os primeiros anos dos mil novecentos e sessenta. Anos de repressão. Tempos de regime militar. Anos de exceção. Política de ditadura. Anos de chumbo como, anos depois, ficariam conhecidos os anos daquela política. Anos nos quais, enquanto alguns matavam ou mandavam matar, algures país a fora, eu nascia. Enquanto uns morriam e se rendiam à tortura, eu despontava no mundo. Lá pelos confins de um chão nativo embrenhado nos matos de um rincão rural de ralas provisões. Hoje eu sei.

Enquanto uns fugiam e se exilavam em terras distantes ou se rendiam a cárceres políticos em lugares afora, eu era levada para a minha nova casa. Mais do que isso o que sabia eu?  Daqueles assuntos de nada eu dava conta. Apenas atravessava a aurora de minha ainda tão tenra vida. Mas nem disso eu dava ciência. Quanto mais dos conflitos da época. As agonias do mundo não se faziam entender por tão parca idade.  Não naqueles tempos de vivências tão pueris. Importava que eu seguia para a minha nova casa. E que no meio do caminho estancara abismada numa calçada. Amedrontada, talvez. Afinal, não é próprio do desconhecido o medo?


Você acabou de conhecer mais um conteúdo do caminho Memórias de Mim.

Espero que tenha gostado e acompanhe os conteúdos da sequência.

A você, os meus agradecimentos

Deus esteja com você!

Sônia Ferreira

Teresina, 18 de abril de 2021.


Imagem da gata Maria Eugênia convidando leitores e leitoras a se inscreverem no blog e o seguirem.
Maria Eugênia: a gata-guia do caminho Memórias de Mim.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Memórias de Mim: o caminho de minhas vivências

OLÁ!!

SEJA BEM-VINDO E BEM-VINDA AO CAMINHO MEMÓRIAS DE MIM! 


Imagem de apresentação do caminho Memórias de Mim com um rio margeado com prédios e árvores sob o por do sol.
Memórias de Mim é o caminho de minhas vivências. Meus retratos de vida numa linguagem literária. O projeto de construção de um livro. Conheça esse caminho!

MEMÓRIAS DE MIM

O CAMINHO DE MINHAS VIVÊNCIAS


Memórias de Mim é o caminho de conteúdos de um projeto literário de construção de um livro de minhas memórias. Como diz o próprio nome. Relatos descritivos de acontecimentos da minha meninice e juventude. Acontecimentos que me causaram alguma impressão. Como os vi. Como os vivenciei. Cada conteúdo postado somará com a construção dos capítulos até a construção final do livro. Se Deus quiser e com fé em Deus!

Por que resolvi contar a minha história aqui nas páginas deste blog lindo e maravilhoso? Não é porque todo mundo tem uma história para contar. Não. Nem por acreditar ser uma história tão interessante assim. Também não. 

Mas primeiro por se tratar de uma vontade acalentada em meu peito desde há muito.   Depois e principalmente porque senti a necessidade de falar da minha experiência em Deus. Depois que tomei consciência dele em minha vida não poderia deixar de falar dele. Não depois de tudo o que ele fez por mim. Não depois de tudo o que ele me fez ver. Então nasceu em mim essa necessidade.

E para falar dele, necessariamente preciso falar de mim, de minha experiência porque é nela que ele se encontra comigo. É nela que ele se afirma e ganha forma e força em minha vida. É nela que ele me resgata de mim mesma.

Por isso, Memórias de Mim é o caminho dos relatos que retratam parte da minha história pessoal! História de vida afirmada. Vida vivida para valer! Vida ancorada em Deus. Ancorada numa lógica outra que não necessariamente a nossa tão comum das nossas relações humanas. Hoje eu sei.

E como todos os caminhos deste blog têm um guia ou uma guia, este também tem a sua. A minha gata Maria Eugênia. Conheça!


Imagem de uma gata rajada apresentada como guia do caminho Memórias de Mim..
Esta é Maria Eugênia. A gata-guia deste Caminho Memórias de Mim.


Maria Eugênia é minha assistente nº 1. Primeira geração da família bichanada daqui de casa. A guia dos conteúdos deste caminho. Ela vai conduzir você a cada conteúdo que eu postar. Acolher suas dúvidas. Receber seus comentários. Suas críticas e sugestões. Tudo com ela. 

Siga com Maria Eugênia do primeiro ao último conteúdo deste caminho. na sequência deste, veja Meu Ser no Mundo. Espero que goste de alguma forma.

Como eu disse, se você tiver alguma dúvida, sugestão, crítica não se intimide. Fale com Maria Eugênia. E eu saberei.

Você preenche o formulário no fim de cada postagem e envia. Maria Eugênia o repassará para mim. 

A você, meus agradecimentos!

Deus esteja com você!

Sônia Ferreira

Teresina, 25 de março de 2021.

 

Conheça outros caminhos deste blog

Em cada caminho uma série de conteúdo para compartilhar com você.

Atos de Fé em Deus

Cuidados com Amor



quinta-feira, 25 de março de 2021

A Doideragem: o blog apresentação

 


Imagem de apresentação do blog A Doideragem com montanhas sob intenso nevoeiro e ao fundo um por do sol alaranjado.

A Doideragem é mesmo um blog meio doideira. Um blog que se lança para vários lados. Em cada um desses lados, você me encontra porque A Doideragem sou eu com minhas várias facetas. Um blog de vivências, experiências em Deus, projetos sociais, vida acadêmica. Minha história pessoal. Minha vida desde que passei a morar com a família bichanada, meus gatos e gatas. Minha vida desde que Deus tomou assento ao meu lado sob os meus olhos, com o meu consentimento e se instalou de vez em meu viver. Conheça o meu blog e o avalie por você mesmo ou você mesma.



A DOIDERAGEM 

UM BLOG DE MINHAS VIVÊNCIAS, EXPERIÊNCIA EM DEUS E PROJETOS SOCIAIS


Você está numa sequência de dois conteúdos.
Para ver o conteúdo seguinte clique aqui.

Introdução

Este conteúdo tem a ver com a minha história de vida. É um relato pessoal. Retrata minhas tomadas de decisão na definição de rumos da minha vida. Primeiro, por meio de uma pergunta: o que eu tenho e o que posso fazer com o que tenho?

Depois, pela busca de algo novo; pela construção de novas experiências. Nessa busca, Deus me faz ver que ele próprio é a experiência mais significativa. Ele próprio é uma experiência construída.

Finalizando, o conteúdo aborda a variedade do blog associada a vivências minhas, inclusive os projetos sociais. Conclui com a apresentação dos caminhos do blog, espaços nos quais se divide e se agrupa a variedade de assuntos tratados. Cada um no seu devido tempo. Conheça este relato!


Experiências: o que eu tenho e o que posso fazer com o que tenho?

Até dois mil e dezessete, eu dividia minha vida em dois momentos. O antes de mil novecentos e noventa e dois e o depois. Mil novecentos e noventa e dois foram um marco em minha vida. Um divisor do que eu acreditava ser prioritário e valorizado. Um ano de muitas adversidades pessoais que muito me impactaram. Tribulações. Dores. Amarguras. Foi o ano em que me vi caquinhos espalhados por aí. 

Mas também foi o ano que exigiu de mim uma atitude. Uma tomada de decisão baseada nas respostas às seguintes perguntas: o que eu tenho e o que eu posso fazer com o que tenho? Vi que tinha muito. E nesse muito estavam meu pai e minha mãe que precisavam de mim. A idade já lhes pesava o caminhar. Foi quando tomei as rédeas da casa e assumi que dali em diante aquele rumo dependia de mim. 

As respostas àquelas perguntas me ajudaram a tomar as decisões que me levariam a novas definições de vida para os anos seguintes. Assim foi. Juntei meus caquinhos e segui em frente.

Imagem de fundo verde com o título "O que eu tenho e o que posso fazer com o que tenho?"
Imagem 1 do conteúdo A Doideragem: o blog apresentação


A partida de minha mãe rumo ao Pai em dois mil e dezessete finalizou aquelas definições. Então, novamente minha vida se dividia em dois momentos: o antes dos cuidados com a minha mãe e o depois. Este finalizado com a sua partida. 

Dois mil e dezessete era então um ano que me trazia novos posicionamentos frente à minha vida. Eu estava diante de um novo marco. Um novo divisor entre o que eu acreditava ser as minhas certezas e o que eu acreditava valer a pena viver sob novos patamares. 

A diferença do marco anterior é que aquele exigia de mim a aceitação de uma situação que se impunha a mim independentemente da minha vontade. Era algo de fora para dentro. Ao aceitar a situação imposta, ela se acomodou e se naturalizou em meu viver. Por muito tempo foi o meu porto seguro. O meu ponto de acomodação.

No marco recente, a exigência não requisitava nenhuma aceitação. Pelo contrário, partia de uma escolha deliberada. A minha escolha de novas definições para os meus próximos anos. Os restantes de minha vida. Novos rumos. O desejo por algo novo. A busca pelo diferente, pelo estranho. Algo que eu desejava encontrar para que se acomodasse à minha vida e eu pudesse seguir em frente ancorada em novas bases.

Esse desejo de buscas, no entanto, ancorava-se nas respostas às mesmas perguntas do marco anterior, como já dito: o que eu tenho e o que posso fazer com o que eu tenho? O que eu mais tinha eram experiências construídas nos meus cinquenta e seis anos de vida e muitas idealizações; intensos desejos de buscas ou procuras de coisas ou afazeres que eu poderia realizar.

Essas experiências passavam por alguns projetos iniciados e logo guardados. Isto ao longo dos meus últimos mais ou menos trinta anos. Guardados cada um em seu devido tempo. Então o que eu poderia fazer com o que tinha era dar forma a esses projetos, idealizados a cada experiência construída.

Inclusive, foram essas idealizações que motivaram a criação deste blog. Uma plataforma como espaço de acomodação não apenas dos projetos vivenciados, mas dos conteúdos do algo novo das minhas buscas. 

No entanto, o novo sempre requer um ponto de ancoragem. Um lugar onde possa se segurar para poder se estabelecer em terra firme. Então esse ponto não poderia ser outra coisa senão as minhas vivências. Foi esta a conclusão à qual cheguei originalmente depois de muito pensar. 

Mas não foi um pensar isolado. Pelo contrário, foi uma intensa comunhão com Deus. Tanto que ele próprio me fez ver que o meu porto seguro seria as minhas experiências construídas ao longo dos meus anos. Os meus acontecimentos vividos. O meu passado. Somente no meu vivido eu encontraria a justificação e as explicações necessárias ao algo novo de minhas buscas. Somente nele eu saberia o que dizer sobre o novo de meus intentos com mais propriedade, com mais segurança. 

Eis então a razão por que este blog é cheio de vivências minhas. Tem a ver com a minha história pessoal de vida. Mas é nessa história onde encontro Deus, que se mostra a mim e me faz ver que ele é o algo novo de minhas buscas; que ele já era o meu porto seguro. O meu verdadeiro ponto de ancoragem. Inclusive, é sobre ele que trata a seção seguinte.

Da busca por algo novo a Deus como resposta: a experiência construída

Originalmente, na minha busca por algo novo, eu acreditava que esse algo seria a realização de projetos sociais. Desejos meus guardados por longos anos. Esse acreditar mobilizava meus pensamentos em torno de vivências minhas associadas aos projetos de meus desejos. Nos acontecimentos de minha vida, eu encontrava a origem e a motivação dos projetos idealizados. 

Mas as minhas constantes voltas ao passado, antes ação deliberada, tornavam-se meio impositivas. Eu sentia uma força me levando até elas. Só depois eu saberia. Era Deus se interpondo à minha vontade para me mostrar que ele participava da minha vida. Desde sempre. Ele me mostrava o quanto também era parte de minha história; o quanto nele eu havia construído uma experiência. Entendi então que ele era o novo em minha vida. O novo por excelência. A resposta às minhas buscas.

Imagem de fundo verde "Deus em minha vida: o Novo por Excelência"
Imagem 2 do conteúdo A Doideragem: o blog apresentação


Por isso, ao pensar a criação deste blog, eu não poderia deixar de falar dele, do Deus de minhas vivências, o Todo Poderoso e Senhor de nossa vida. Deus concreto. E para falar dele e de sua concretude, eu teria que falar de mim, pois não havia como o desligar de minha história pessoal. Até porque é nesse âmbito que Deus se insere em nossa vida quando permitimos a sua inserção. Então ele já era parte da minha história e da história deste blog em construção. Por isso, os conteúdos deste blog são fortemente marcados por vivências minhas. Relatos de experiências construídas ao longo desses meus cinquenta e nove anos. Experiências em Deus. Hoje eu sei.

Mas também histórias vinculadas a experiências em construção. Histórias que têm a ver com as minhas buscas, sonhos e idealizações. Por isso, os assuntos tratados neste blog se estruturam nesses dois sentidos de uma mesma direção. De uma mesma linha do tempo. Meu passado e meu futuro se encontrando no meu presente. O presente, momentos tão fugazes da minha, da nossa existência. Fluido. Passageiro. Quase nada diante da infinitude do tempo.

Mesmo assim, é nessa fugacidade que este blog se constrói e se reconstrói a partir deste ano de dois mil e vinte e um. O ano dos meus sessenta anos. Da minha nova perspectiva de vida. O ano que nos encontrou ainda atravessando a pandemia do coronavírus. Difícil travessia. 

Mas também o ano de fortalecimento de nossa Fé em Deus. Inclusive, é nessa fé que encontro a motivação necessária para acreditar que os conteúdos compartilhados neste blog possam contribuir de alguma forma com uma ou outra pessoa que tenha comigo alguma similaridade ou algum interesse comum. Ou possam contribuir com quem ainda não encontrou o caminho da construção de experiências em Deus. 

Quer num caso quer noutro, que Deus nos mostre cada vez mais a sua concretude para que o vejamos sempre como experiência construída, Assim seja! Nessa perspectiva, compartilho com você na seção seguinte os assuntos de que trata este blog. Veja!

Projetos sociais, vivências pessoais e experiência em Deus: a variedade do blog A Doideragem

A Doideragem é um blog de assuntos variados. Entre outros temas, aborda minhas experiências em Deus e projetos sociais de minha autoria. Nele se encontram o múltiplo e o diverso. O igual e o diferente. O comum e o científico. O particular e o coletivo. A fé e a política. O vivido e o não vivido. Principalmente, um blog que fala de minha relação com Deus. Assuntos relacionados a diferentes aspectos de minha vida pessoal. Mas também a diferentes aspectos da vida societária. Inclusive, é nessa variedade que se encontra a explicação de seu nome. Também sua justificação. É um blog que se explica e se justifica por si mesmo. 

Não sem razão, pois, eu penso que este é um blog do meio, do muito e do pouco; também do quase nada, do alguma coisa e até do coisa alguma. Talvez um blog meio sem rumo; ou muito alguma coisa ou pouco coisa alguma. Talvez um blog de quase nada aos olhos de muitos ou até de muito pouco aos olhos de outros. Mas que seja um blog com algum atrativo para tantos outros e tantas outras que com algum de seus conteúdos se identifiquem.

Seja como for, A Doideragem é sobretudo um lugar para compartilhar com você conteúdos de diferentes modos de ser. Diferentes modos de se pensar e de se posicionar. Nele, além dos projetos sociais, proponho discutir com você temas sobre fé em Deus, fé e política, trabalhos científicos, inclusive projetos de pesquisa, cuidados de nossos familiares idosos; enfim, uma variedade de assuntos de nossa vida cotidiana, comunitária, acadêmica e política. Por isso, A Doideragem com todo prazer! Com fé em Deus!

Por ser um blog de conteúdos variados, também é um blog bastante dividido. São dez caminhos nos quais se distribuem os conteúdos apresentados. Conheça esses caminhos:

A DOIDERAGEM E SEUS CAMINHOS

Ação de Ajuda

Achados e Trapos

Cuidados com Amor

Fé e Política

Memórias de Mim

Meus Atos de Fé em Deus

Minha Família Bichanada

Neura Científica

SMF Projetos Sociais

SMF Quadros e Cores

 Em cada um desses caminhos uma variedade de conteúdo a ser compartilhada na continuidade dos meus anos. Se Deus quiser. Espero que algum dos assuntos tratados seja do seu interesse e eu possa com você dialogar. 

Imagem de fundo verde com o título "A Doideragem: um blog de assuntos variados em dez caminhos"
Imagem 3 do conteúdo A Doideragem: o blog apresentação


Sinta-se então convidado e convidada a contribuir com a construção deste blog que ora se inicia. Contribuir com um comentário. Uma sugestão. Uma crítica. Uma dúvida. Um desejo. Uma palavra que me ajude a fazer os reajustes necessários a essa construção. E assim melhor poder contribuir de alguma forma com você com o que estiver ao meu alcance. Se Deus quiser e com fé em Deus.

 

Você terminou de conhecer o conteúdo de apresentação deste blog A Doideragem.

Espero que tenha gostado e acompanhe este blog em seus caminhos.

 Conheça um desses caminhos.

Cuidados com Amor

Em cada caminho, uma série de conteúdo para compartilhar com você nesta caminhada que se inicia. 


 A você, os meus agradecimentos!

Fique na Paz! Deus com você!

 

Sônia Ferreira

Teresina, 25 de março de 2021.