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domingo, 9 de maio de 2021

Como dormem as marias moles? Quando Deus é quem responde.

 

Imagem com o gato Epifânio debaixo de uma árvore e apresentando o conteúdo “Como dormem as marias moles?”
Como dormem as marias moles? Uma pergunta de meu tempo de menina que me havia ficado sem resposta. Entre os arbustos e o capim do meu quintal, Deus encontrou o caminho para me mostrar.


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COMO DORMEM AS MARIAS MOLES?

QUANDO DEUS É QUEM RESPONDE

 

O QUINTAL SOB MUDANÇA: DEUS ENTRE ARBUSTOS E CAPINS

 

O quintal de nossa casa passava por mudança. Mudava aquele tipo de vegetação meio arbustiva. Um tipo de mato que nem crescia tanto, mas incomodava mais do que crescia. Todo ano ela se mostrava pelo menos de duas maneiras. Quando iniciava o ano e as chuvas chegavam, seus arbustos davam um jeito de chegar junto. Chegavam com seus galhos retorcidos bem escondidos sob o verde de densas folhagens. Mostravam que a beleza da natureza não estava apenas nas grandes árvores. Nem nos bosques de vales verdejantes a qualquer tempo. Também bem ali fincada entre uma pedra e outra a meio metro do chão pedregoso de nosso quintal.

Mas antes que o ano chegasse pelo seu meio, já não se via o verde das folhas. Já não se viam as folhas. Apenas os troncos retorcidos a se curvarem mais ainda na secura que logo os faria sucumbir. Antes mesmo que se aproximassem as próximas chuvas. E muitas vezes nem era preciso as próximas chuvas. Antes de sua chegada, minha machadinha já havia passado pelo caminho levando ao chão o que de arbustos ainda restara. Ou eu já lhe havia mostrado o quanto que o mal se cortava pela raiz quando era a enxada a protagonista do arranque.

Mas naquele ano mais do que matos retorcidos e inflexíveis era a mudança que eu via. Já não havia tantos arbustos como nos anos anteriores. Entre um combo e outro de galhos retorcidos, um forasteiro parecia tomar lugar.  Um capim que se estendia por todos os lugares do quintal com ares de quem chegava para ficar.  Os arbustos outrora tão dominantes pareciam recuar frente à impetuosidade daquele capim que nem se mostrava tão monstro. Parecia pequeno demais para ser temido. Mas sua força parecia estar nas raízes, que não paravam de crescer nem de se germinar e pareciam dominar o embate sob o solo à revelia de quaisquer olhos.

Naquele momento, eu não via nada além do que aquela mudança. Mas inicialmente acanhada não demorou muito para que eu a percebesse completa. Antes que as chuvas se findassem naquele ano, já não havia o mato retorcido com sua folhagem densa. Apenas uma extensa camada de capim a se estender pelos quatro cantos do quintal. De ponta a ponta era o que se via. Um tapete verde que logo os meus gatos e as minhas gatas o adotaram como lugar de brincar, de correr, de se deitar, de dormir e de se rolar. Cena comum aos meus olhos nas primeiras horas da manhã antes que o sol se erguesse; e no final da tarde, antes que ele declinasse total no longínquo vermelho do horizonte.

Imagem de um gato preto deitado sobre o capim verde.
Capim sempre verde no quintal: providência de Deus e alegria dos gatos com os quais eu moro.


Foi inevitável então não vê o dedo de Deus naquela mudança. Inevitável não agradecer ao Senhor e meu Pai as bênçãos recebidas com aquela mudança. Uma graça e tanto! No início, quando me pus a arrancar aquele capim sob a ideia de limpar o quintal, logo percebi a minha insensatez. Não precisava limpar, ele estava perfeito no seu jeito de ser e de se esparramar pelo quintal.

Então foi que vi o quanto Deus me poupava de trabalho. Por todo aquele ano e no seguinte não me preocupei tanto com o limpar do quintal. Salvo quando algum arbusto teimoso insistia em nascer numa ponta ou noutra. Nesse acontecer, a minha mão não descansava enquanto não ia até ele com a machadinha empunhada. De um corte ou de um arranque ele não se livrava.

Mas aquela mudança não fora a única manifestação de Deus naquele quintal. Cheguei a acreditar que se tornara um quintal abençoado de tanto que eu via Deus em meu auxílio. Nele, o dedo da Providência continuava apontado para mim também de outra forma. Eu devastava o mato talvez um dos últimos que crescia por ali quando esbarrei num pé de maria mole.

Então logo entendi: coisa de Deus! Só não sabia o que realmente era. Mas aquela maria mole ganhava altura e um dia tudo se esclareceu. Era um dos caminhos de Deus para me trazer a resposta que eu não obtivera no meu tempo de menina. É sobre essa história que trato nas seções seguintes. Confira! E veja como Deus realmente guarda tudo de nós e nos revela em momento oportuno quando o inserimos em nossa vida ordinária.

 

A MARIA MOLE DO MEU TEMPO DE MENINA 

Eu avançava destemida naquele arrancar de matos pela raiz. O sol ainda estava longe de chegar quando tomei postos. A enxada se mostrara inadequada. Tirava as pedras do lugar e as deixava soltas por todos os lugares. Um risco para os pés. A machadinha já não fazia falta. Então as mãos se revelavam a alternativa plausível. Envoltas em sacos plásticos em forma de luvas. Uma proteção tímida, inclusive contra possíveis lagartas.   Mas protegia. Dava conta do seu recado. Assim eu seguia no meu arrancar os matos do quintal. Nessa hora os gatos e as gatas aproveitavam para perambular por ali. Suas presenças eram constantes em todos os lugares onde eu estava. Salvo quando dormiam em seus cantos e recantos.

Então entre um mato e outro, eis que um pé de maria mole saltou aos meus olhos. Não que tentasse se prevenir de uma possível arrancada. Mas porque naturalmente se destacava entre os arbustos que ali rondavam. Exatamente porque não era um arbusto. Nem outro mato qualquer. Nem uma vegetação daquelas rasteiras que se arranca sem piedade. Nem uma daquelas que se cortam sem consciência alguma da preservação que lhe cabe.

Imagem com um pé de maria mole entre capim e arbustos.
Pé de maria mole no quintal de nossa casa: Deus criando o seu caminho.


Era uma das marias moles dos meus tempos de menina. Aquelas cujas folhas me ficaram impregnadas desde aqueles tempos vividos. Aqueles tempos que a minha memória não me deixara esquecer. Embora eu não os buscasse. Mas por uma razão qualquer, Deus os trazia de volta naquele pé de maria mole. Sem que eu nem lhe pedisse, ele me lançara o dito cujo bem nos meus olhos. Não havia como não o vê.

As marias moles compunham a vegetação nativa do meu bairro do meu tempo de menina, lá pelos idos anos de mil novecentos e sessenta. As marias moles dos anuns e dos xexéus; dos canários e dos galos de campina; dos chicos pretos; dos passarinhos de muitas das suas cores. As marias moles que nos abrigava do sol no pico do meio-dia quando as pessoas mais velhas descansavam dentro de casa e não queriam os vai e vens das meninas e dos meninos correndo dentro de casa. As marias moles por onde tantas vezes brincamos de nos esconder em nossas brincadeiras de ronda.

Então ao ver uma delas bem ali eu não tive alternativa senão gritar: meu Deus, um pé de maria mole! Há quanto tempo! E logo vi nele uma ação de Deus porque há muito tempo não se viam marias moles naquela minha região de morada. Muito menos no quintal de nossa casa. As marias moles haviam desaparecido do nosso meio desde que o asfalto e as casas tomaram o seu lugar. Então só podia ser um presente de Deus por tudo o que a maria mole participara da minha vida no meu tempo de menina.

Só depois eu saberia que era Deus em meu auxílio. Aquela maria mole tinha a ver com uma pergunta que me havia ficado sem resposta lá naqueles tempos. A resposta da pergunta que certamente não ousara fazer por não me atrever a dirigir a palavra a uma pessoa mais velha. Calar e abaixar a cabeça era o que eu sabia. Então eu ficava sem saber, dava o não sabido por não me interessa, e ia brincar, o que me competia como menina.  Quer saber a resposta que Deus me trazia? Veja a seção seguinte.


ASSIM DORMEM AS MARIAS MOLES

Eu não tinha dúvidas de que aquele pé de maria mole era presente de Deus, então era para ser preservado. Assim entendi. Assim o fiz e o afirmei a quem estranhou a sua preservação. Deixar crescer um pé de maria mole?! Sim, é meu presente de Deus. Tornou-se então o destaque do quintal. E da varanda da cozinha eu o via crescer dia após dia. Ele nascera estrategicamente posicionado de frente para a porta da cozinha. Quando a abria pela manhã, ele estava no centro do meu olhar.

Foi dessa posição que, certo dia ao cair da noite, ao chegar à porta da cozinha e olhar para o quintal, vi cair sobre as folhas da maria mole feixes de luzes como as atravessarem por todos os lados. Elas se iluminaram diante de mim. Diante de tal visão então não me contive e num rompante de alegria exclamei: “Meu Deus, as marias moles dormem! Bem que a titia dizia!...”.

No mesmo instante, eu me vi transportada para um momento de minha vida que jamais lembraria sem a intervenção de Deus. Eu olhando para a minha tia lá em frente a sua casa. Era noite. Eu tão menininha segurando o braço da cadeira onde ela estava. Ela no seu jeito tão peculiar de se sentar com a cabeça declinada para trás e apoiada no encosto da cadeira. Os olhos fechados como a cochilar. Era o seu jeito característico de descansar à caída da noite depois de mais um dia de trabalho.

Então lembrei: naquele momento ela certamente dizia: “meninos, deixem as marias moles dormir!” Então àquela hora os meninos certamente brincavam de se esconder entre os pés de marias moles. Eles formavam vasta vegetação logo depois dali no atravessar da rua. Não era certo se eu também brincava. A lembrança que me ocorria me mostrava ainda muito menininha. 

O meu momento de correr por entre as marias moles talvez ainda não tivesse chegado. Ou talvez sim porque já havia o poste de luz ali próximo onde estava minha tia.   E no tempo do poste de luz, eu já dava conta de mim. Era o poste da luz a ronda, o lugar onde tínhamos que tocar antes que o nosso perseguidor nos tocasse. Ser tocado significava ficar na ronda enquanto os demais e as demais se escondiam para só então sair à procura deles e delas.

Mas o certo é que também compartilhei daquelas brincadeiras. Talvez aquele fosse o meu momento de ronda. O momento em que ouvia minha tia pedir que deixássemos as marias moles dormir. Algo que eu jamais entendera. Como dormiam as marias moles? Mas talvez não ousasse perguntar. Certamente não me atrevi a perguntar. Era uma ousadia e um atrevimento conversar com as pessoas mais velhas. Algo que eu nunca aprendi.  Não no meu tempo de menina. Nunca fui atrevida. Nunca fui ousada. Não no enfrentamento aos mais velhos e às mais velhas. Então a resposta àquela pergunta eu ficaria sem saber por toda a minha vida. Cairia no meu esquecimento. Em algum escaninho de minha memória e lá ficaria por toda a minha existência.

Mas Deus que tudo sabe e tudo vê e tudo guarda acabava de me trazer a resposta. Aqueles feixes de luzes me mostravam como dormiam as marias moles. As folhas que eu sempre via espalmadas durante o dia estavam à noite fechadas uma sobre a outra formando uma fileira de pares. Não me cansei de olhar maravilhada aquelas folhas. Tão rentes uma pétala sobre a outra. Cada uma com o seu par. No dia seguinte então me levantei mais cedo para aguardar o seu acordar. Sob a luz do sol, elas foram se abrindo uma a uma como quem não tem pressa. Como quem conhece o seu tempo. O tempo de se abrir e o tempo de se fechar. O tempo de dormir e o tempo de acordar.

Imagem de um pé de maria mole com suas folhas fechadas.
As folhas fechadas: Deus me mostrando como dormem as marias moles.


Então mais uma vez eu via o dedo de Deus em meu auxílio. Se ninguém me dera aquela resposta naqueles tempos, muito menos nestes. Além do mais, somente Deus sabia da ausência de tal resposta em minha vida. Não que fizesse alguma diferença ao meu viver. Pelo menos eu não via diferença alguma. Mas apenas que significava muito para mim porque me fazia ver o zelo de Deus para comigo.  Só depois eu saberia que era apenas o início de outros descortinares que ele me faria. Mas até então eu já me sentia muito protegida de Deus. E sobretudo muito agradecida por sua bondade para comigo. Afinal, desde anos antes ele já o demonstrara. E eu apenas maravilhada com sua presença em minha vida.

Você terminou de conhecer mais um conteúdo do caminho Meus Atos de Fé em Deus.

Espero que tenha gostado e continue na sequência.

A você, meus agradecimentos.

Deus esteja com você!

Sônia Ferreira

Teresina, 09 de maio de 2021.

 

 

Imagem com o gato Epifânio deitado sobre uma relva verde e convidando leitores e leitoras a se inscreverem no blog e o seguir.
Epifânio: o guia dos conteúdos deste caminho Atos de Fé em Deus.



domingo, 25 de abril de 2021

Da ação missionária em família a vivências de cuidados com a minha mãe: Deus em meu caminho

Imagem do gato Epifânio apresentando o conteúdo Da ação missionária em família a vivências de cuidados com a minha mãe.
Veja como a partir de uma ação missionária em família Deus encontra meios de me mostrar vivências
de meus cuidados com minha mãe desde sempre quando eu mesma não os reconhecia.

 

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DA AÇÃO MISSIONÁRIA EM FAMÍLIA A VIVÊNCIAS DE CUIDADOS COM A MINHA MÃE

DEUS NO MEU CAMINHO

 INTRODUÇÃO

Este é um conteúdo do caminho Meus Atos de Fé em Deus. Nele relato o realizar de uma ação missionária na casa de dona Xis. Nome fictício de uma senhora idosa que acolhia com bastante satisfação minhas ações em sua casa. Na ação apresentada neste conteúdo, relato circunstâncias familiares que me levaram a imaginar um suposto conflito familiar naquela casa decorrente de uma postura minha que julguei inadequada. Essa postura assim julgada me deixou bastante apreensiva e com um profundo mal-estar interior. Esse conflito culminou com uma ação de Deus em minha vida por meio de uma vivência de meu tempo de estudante. 

Nessa vivência ele me fez ver que eu já cuidava de minha mãe ainda na minha adolescência. A partir dessa recordação, outra vivência saiu de minha memória. Era Deus me fazendo ver também que esses cuidados já existiam desde eu menina. Entendi então que a ação missionária naquela família foi o caminho de Deus para ele me trazer respostas a inquietações minhas vivenciadas em meus tempos distantes. Coisas que somente eu sabia. E Deus que tudo sabe. Mas eu não tinha delas a compreensão que naquele momento ele me trazia. Então ele me fazia ver por sua bondade o que certamente era necessário que eu soubesse. 

Mas dessa necessidade eu não sabia. Creio que era coisa dos desígnios de Deus, que não estão ao nosso alcance e que compete somente a ele discernir em nosso favor. Conheça a seguir essa história completa e avalie você mesmo e você mesma. Espero que goste desse meu relato!


AÇÃO MISSIONÁRIA: QUANDO NA FAMÍLIA NEM TODOS OU TODAS PARTICIPAM

Conheci dona Xis em minhas ações missionárias na paróquia na qual eu servia. Uma senhora de alta idade que logo no início me chamou atenção pela desenvoltura com que articulava as palavras. Pela sabedoria que a revelava uma pessoa de fé. Por revelar a sua ignorância diante de determinados fatos e não se sentir incomodada em perguntar. Pelo seu jeito atento de ouvir sempre com muita atenção e se reportar ao assunto ouvido com a precisão de quem o compreendeu e nele quer avançar. Uma senhora de muita sabedoria em Deus.

Logo percebi que dona Xis tinha sede de conversa e muito mais de saber. Uma pessoa aberta a aprendizados e dada a um dedo de prosa. E para mim era sempre um grande prazer conversar com ela. Não tanto pelo que eu levava, mas pelo tanto que eu aprendia também. Inclusive, quando meses antes eu pensara em deixar a missão, foi o pensar nela e nas outras duas idosas de minhas visitas o que me fez continuar. Eu sabia que eu podia contribuir com elas de alguma forma. Não me importava se outros e outras não aceitavam a missão em suas famílias. Importava que elas aceitavam. E de boa vontade. Afinal, eram pessoas idosas que certamente passavam pela mesma situação que minha mãe passara: o se vê sozinha em casa somente na companhia da pessoa cuidadora. O se vê sem alguém para conversar. E talvez até sem alguém que lhe dispensasse um pouco de atenção.

Naquele dia, eu estava mais uma vez em sua casa para mais uma ação missionária. Era o cair da noite de um dia que para mim não fora como outro qualquer. Mas o dia do preparo da ação. E preparar a ação missionária era adentrar um mundo não apenas desconhecido para minhas vivências. Mas um mundo que não parava de me mostrar coisas novas. Também um mundo de ações peculiares que somente à medida que eu o adentrava é que sabia do que se tratava. 

Eu era novata na missão. Então cada ação vinha carregada de perguntas cujas respostas eu somente conseguia plenamente no dia do seu preparo. Aí é que me dava conta do quão grande era aquela missão. Ou do quão pequena eu era para a executar. Era quando eu concluía os preparativos e organizava a sacola com os pertences relativos àquela ação. Sempre com o olhar do será que está tudo aí? Será que não estou esquecendo nada? Sentia o peito se inflamar no confere e mais confere para não esquecer nada. O perfeccionismo de mim se impondo a cada ação. Que fosse!

Então mais uma vez dona Xis me recebia em sua casa para mais uma daquelas ações. Daquela vez se tratava das Novenas de Natal e seria aquele o meu primeiro encontro. Ela sempre ornava o local com o esmero de quem conhecia a ação e a aceitava com satisfação e devoção. 

Afinal, aquele que eu adentrava com o olhar do novo já era um caminho por demais conhecido por ela. Já me informara de que fora uma das fundadoras da paróquia na qual eu me iniciava e nela se mantivera com participação ativa por muitos anos. Até que as limitações da idade a venceram e a sabedoria a levaram a aceitá-las. 

Com as limitações pelo envelhecimento e por outras circunstâncias, restringia-se então ao seu domicílio. Mas com olhar atento às missas e a demais atividades religiosas. Especialmente por meio da televisão. As ações missionárias eram para ela então um alento e uma satisfação.

Naquele encontro, porém, nem tudo saiu a contento. Ou melhor, nada saiu a contento para dona Xis devido a constantes ataques ao silêncio. Ataques que se fizeram ouvir por toda a ação. Nós nos preparávamos para os ritos iniciais quando um carro adentrou a sala requisitando o seu lugar de estacionar no outro extremo de onde estávamos. 

O ronco característico daquele motor nos fez parar enquanto descarregavam as sacolas do seu bagageiro. Dona Xis acompanhava aquele movimento com uma certa desaprovação no olhar. Mas no silêncio de quem não ousa interromper algo tão imperativo que chega com a insígnia do tem que ser agora e não pode ficar para depois. Assim aguardamos o levar as sacolas para então continuar.

Concluído aquele descarregar, retomamos os rituais iniciais daquela ação missionária. Mas não demorou muito para logo o silêncio se vê atravessado por barulhos ininterruptos de uma sala ao lado. Crianças brincavam de correr e de pular. Entre um correr e outro, um pular e outro, falas, risos e gargalhadas estouravam no ar. 

Pelos sons estridentes que ouvíamos, parecia que elas batiam em coisas que vibravam no ar. Seus brinquedos certamente. Os olhos de dona Violeta vagavam entre o lá fora e o lá dentro de casa como em busca de algum socorro naquele instante. Eu imaginava que ela buscava alguém que pudesse conter as crianças. Mas logo o seu olhar parava no chão, resignada com os desfechos daquela situação.

Mesmo percebendo o seu desconforto, não recuei nas leituras e explicações. Continuei como se aquela situação em nada me afetasse. Mas dona Xis não participava. Não estava atenta. Não interagia. Era apenas desolação e resignação que eu via. Mas o que mais me chamou atenção foi o fato de não aparecer uma pessoa adulta que repreendesse aquelas crianças; que ao menos lhes dissesse: parem, sua avó está aqui ao lado em oração; ou ainda, parem porque há uma visita. Nem a minha condição de missionária e visitante fora motivo de alguma repreensão àquelas crianças que nem tão grandes eram.

Então eu me dei conta da insignificância que era aquela ação para os demais membros daquela família. Mais que isso, da insignificância que parecia ser dona Xis para os seus. Não apenas ela própria, mas também o que ela prezava. Eu já me sentia de coração inflamado.

Já seguíamos para mais da metade da ação quando as crianças se fartaram do momento brincante. Então o silêncio reinou entre nós. Mas antes que o aproveitássemos, novamente emudeceu frente ao som de um pandeiro que começara a adentrar a sala. Um som que começava na calçada e se expandia talvez por toda a casa devido à amplitude do seu agudo. 

Dona Xis então apenas meneou a cabeça apoiando o queixo no cabo da bengala que lhe servia de apoio a uma das mãos. Compreendia que talvez somente lhe restasse a resignação mesmo. Fora aquele o único encontro com o qual ela não interagiu de forma alguma. O encontro do seu desconforto e desolação. Também do meu afligir sem saber o que fazer para a confortar. Sem saber o que dizer. Então permaneci sozinha na minha ação.

Dona Xis continuava alheia ao meu falar. Seus olhos a maior parte do tempo voltados para o chão ou vagando pela casa. Quando paravam nos meus era o desconforto e o desapontamento que eu via. Estava realmente constrangida com o ambiente nada acolhedor que sua família lhe proporcionara naquele encontro. 

Mas não ecoou de sua boca uma palavra que revelasse seu sentimento sobre aquela vivência. Uma que a constrangia e comigo compartilhada, ainda que à sua revelia. Eu apenas trafegava entre a pena que sentia por dona Xis e a indignação diante daquelas cenas. Mas disfarçava a minha indignação para não constranger ainda mais aquela senhora. Por todo o tempo, fingi para mim mesma que estava tudo bem. Embora me sentisse desmoronada! Então hoje sei, eu não estava preparada para vivenciar situação como aquela.

Finalizada aquela ação missionária, eu acabava de deixar a casa quando ao passar pela calçada uma voz me interpelou: “E aí, não veio ninguém?”. Era um dos filhos de dona Xis estranhando o fato de amigas suas não terem comparecido ao encontro. Então respondi sem titubear e até meio agressiva: “Não, não veio ninguém. Se vocês que são da família, que estavam em casa, não participaram, como querer que venha alguém de fora?”. 

Eu estava assim meio uma brasa só! Sem atentar à resposta dele, olhei para o jovem cujo pandeiro permanecia em suas mãos e perguntei o que ele era de dona Xis. Respondeu que neto. Então lhe pedi sem nem pestanejar: “surpreende à tua avó, organiza uma ceia de Natal para ela, chama a tua mãe e organizem. Ela vai ficar muito feliz.” Ele não disse palavra. Apenas esboçou um sorriso enquanto girava o pandeiro entre os dedos.

Eu não sabia, mas com aquelas palavras eu acabava de cravar um espinho em meu coração. Comecei a sentir a dor ainda no caminho de volta para casa. Todo o desconforto que eu vira em dona Xis no decorrer daquela ação desaparecia em meus pensamentos. A minha indignação também. Em seu lugar se instalava o arrependimento e o medo. Arrependimento pelo pedido ao neto. Medo das consequências daquele pedido.

Afinal, eu não conhecia aquela família. Era certo que dona Xis já me havia participado não promover encontros em sua casa por não ter quem a arrumasse. Inclusive, os encontros que eu lá realizava eram cercados de cuidados. Ela sempre procurava se certificar se eu iria sozinha. Era constrangimento para ela não poder arrumar a casa. Então eu lhe tranquilizava.

Mas creio que isso não me dava o direito de provocar aquela família. Afinal eu não sabia das suas relações. Então aquela noite avançava e me encontrava cada vez mais aflita. Aquele meu pedido se agigantava dentro de mim numa assombração sem fim. Eu imaginava aquele neto conversando com sua mãe. Relatando o pedido que eu lhe fizera. Imaginava sua mãe se voltando contra dona Xis por acreditar que ela comentava as relações da família. Imaginava dona Xis em apuros frente aos seus filhos e filhas por eu ter soltado as palavras além da conta. 

Tudo isso se agigantava dentro de mim. E eu via o fogo ganhando alturas naquela família. Tão alto que me queimava por dentro. Então eu não cessava de pedir a Deus: Senhor, apaga a faísca que acendi naquela casa. Não deixa que ela incendei aquela família. E nas minhas orações da noite antes de dormir não houve pedido maior.

O dia seguinte ainda me encontrou em meio àquela inquietação. A manhã avançava e eu não conseguia me desligar daquela apreensão diante de Deus em quem eu buscara auxílio. Uma consumição sem fim. Acreditei que eu estava de pouca fé por continuar aflita. Então pedia a Deus também perdão pela minha pouca fé.  

Afinal, ao pedir a Deus seja o que for em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, cremos que ele atende ao nosso pedido. Então tiremos de nós aquela preocupação porque ele já a tomou para si e nos dará a resposta no seu tempo devido. Apesar desse saber, eu não conseguia me desligar daquela consumição. Meu peito continuava em chamas. Talvez por isso tudo o que eu conseguia ver ainda naquele dia seguinte era um suposto conflito naquela família motivado por aquele meu pedido. 


EM MINHAS VIVÊNCIAS, CUIDADOS QUE DEUS ME FAZ VER

Eu me encontrava na pia em mais uma dança das mãos entre sabão, louças e água corrente. Ainda naquela manhã. Em meio àquela aflição, um pensamento fortuito mas tão forte ganhou ares de palavras e saltou em minha boca: "quem sou eu para cobrar de um jovem cuidados com a mãe quando eu naquela idade ali...." Ao pronunciar “naquela idade ali”, eis que mais uma vez me cai da memória uma moldura que se tornava bastante conhecida para mim de outras circunstâncias. Então sem concluir a frase, um grito ecoou em minha boca: "meu Deus, o Clube de Redação!...

Então vivências de minha época de estudante ganharam forma em minha memória. Eu me vi num corredor em meio a alunos e alunas que se misturavam a outros e outras que saíam de uma sala. Havia uma porta aberta por onde saíam. Eu olhava para aquela porta e me via em meio àqueles e aquelas alunas e alunos. Entendi então que aquelas vivências me levavam ao momento em que eu buscava informações sobre o Clube de Redação. 

Mas o que era o Clube de Redação? Uma das atividades extracurriculares que a escola oferecia aos alunos e alunas a cada ano letivo. As meninas com jeito de misse ou do tipo bailarina iam para as ginásticas ou danças da época. As com jeito de atleta ou do tipo perna longa iam para os jogos nas suas distintas modalidades. E as de qualquer jeito ou do tipo Deus me livre iam para o Clube de Redação. Era lá que eu pretendia me encaixar.

Aquela cena me mostrava certamente o momento em que fui à cata de informações sobre aquela atividade. Mas ela não estava entre as recordações que eu tinha daquelas vivências. Lembrava apenas que realmente procurara me informar a respeito. Mas ao saber que aquela atividade levaria a uma ou duas viagens por ano, declinei da minha vontade. Eu via naquelas viagens mais custos para mim. Mais despesas para a minha mãe. 

Continuando a minha fala em meio à minha aflição naquela manhã eu teria concluído: quem sou eu para cobrar de um jovem cuidados com a mãe quando eu naquela idade também não cuidava?

Então Deus resgatava para mim vivências que a minha memória nem julgava tão importantes. Tanto que nem as buscava. Mas por elas Deus me fazia ver que eu cuidava de minha mãe desde a minha juventude. Que o prescindir daquela atividade para não a onerar ainda mais era uma ação de cuidado. Uma ação que o agradara. 

Mas dessas coisas de agradar a Deus eu não sabia. Daquele corredor e daquela porta aberta eu não lembrava. Mas Deus sabia. E ele não esquece. Tanto não esquece que encontrou um caminho para me fazer ver:  a ação missionária em cujo contexto surgiu a aflição que me levaria àquela descoberta. Uma descoberta que me levaria a outras, já que o recordar de uma vivência resgatada por Deus sempre me chegava acompanhada de outras respostas. Então com aquele entendimento eu entendi também muitas outras coisas.

Entendi o porquê de não ter feito a primeira Eucaristia no devido tempo. Era uma pergunta para a qual eu não obtivera resposta e julgava jamais obter. Quando eu olhava para trás, não encontrava nada associado à minha primeira Comunhão. Quando indaguei minha mãe a respeito, ela não lembrava. Então eu acreditava que jamais saberia. Não que isso mudasse algo em minha vida. 

Mas apenas estranhava o fato de ter nascido e crescido sob preceitos católicos observados por minha mãe e não ter feito a primeira Eucaristia no me tempo de menina. Minhas irmãs a haviam feito. Minhas primas também. Só eu não. 

Então no recordar daquela vivência e noutras nela carreadas, eu entendi que certamente não queria onerar a minha mãe. Esse então era um cuidado que me acompanhava desde menina. Um cuidado ancorado no meu olhar para minha mãe e vê apenas o sofrimento que lhe tirava algum vestígio de alegria que lhe pudesse iluminar o rosto. Deus então me trouxera a resposta que eu julgava jamais saber.

De outra forma, aquelas vivências me fizeram entender também o significado da recompensa de Deus. Entendi que Deus me recompensara na habilidade da escrita. Que o que eu deixara de ter naquele Clube de Redação, ele me dera depois. Entendi então que o escrever com certa habilidade não era mérito meu, nunca o fora, mas dele com sua recompensa. Apesar dos cursos que eu fizera e do meu esforço próprio. 

Mas muitos e muitas também fizeram cursos e mais cursos e se esforçaram talvez até mais do que eu, e nem por isso talvez tenham adquirido a habilidade da escrita ou aprofundado os seus conhecimentos a seu respeito. Entendi que os cursos e o esforço próprio são apenas a explicação humana com sua tendência a escamotear Deus em nossa vida.

CONCLUINDO

Estávamos quase no final do ano de dois mil e dezenove. No meu trafegar pelas ações missionárias, eu não tinha uma consciência exata de Deus me movendo naquele caminho. No entanto, ele já me sugerira no ano anterior que a minha ida à paróquia daquelas ações era determinação sua. Eu é que não lembrava. Somente no ano seguinte, é que tudo se elucidaria. 

Então eu teceria os fios que me conduziam por todo aquele ano que se findava. E naquele tecer eu encontraria respostas para as minhas aflições que eu julgava sem razões por não saber explicá-las. Então eu entenderia. Era Deus tentando me trazer respostas como aquelas que ele acabava de me mostrar. Entendi o seu caminho na ação missionária para me fazer ver os meus cuidados com minha mãe desde sempre. 

Mas por que na ação missionária? Porque aquela ação me levava a ambientes domiciliares. Em levando, permitia-me vê ou perceber de alguma forma as relações familiares. As novas relações que não raras vezes colocam mães, pais, avós e netos no mesmo ambiente de moradia. Algo que eu já não vivenciava nem mantinha relações tão próximas com jovens e crianças.

Mas por que ele me trazia aquelas respostas? Porque em meu parco saber, eu acreditava que meus cuidados com minha mãe se haviam iniciado com o seu envelhecimento e mais ainda com a sua incapacidade. Também porque depois da partida de minha mãe rumo ao Pai foram tantas as manifestações de Deus em minha vida que me fizeram sentir na sua proteção. 

Eu me sentia nessa proteção e acreditava que era devido aos meus cuidados com a minha mãe de forma plena. Por isso eu experimentava a sua infinita bondade. Mas esta é a minha explicação humana. E tudo o que é humano é muito limitado. Mas se há outra explicação, Deus é quem sabe. Ele, que tudo vê! 

Só mais tarde é que eu entenderia melhor aqueles momentos quando minha leitura bíblica me fez ver em suas linhas que Deus nos recompensa quando fazemos coisas que lhe agradam. Então as façamos!

Noutros conteúdos, relatarei outras manifestações de Deus em minha vida. Permaneça, pois, neste caminho Meus Atos de Fé em Deus!

A você, os meus agradecimentos!

Deus esteja com você!

Sônia Ferreira

Teresina, 25 de abril de 2021.


Gato Epifânio convidando leitores e leitoras a se inscreverem no blog e o seguir.
Epifânio: o guia deste caminho Atos de Fé em Deus.





quinta-feira, 1 de abril de 2021

A Doideragem: como tudo começou

 


Imagem de apresentação do blog A Doideragem com montanhas sob nevoeiro e ao fundo um por do sol alaranjado.
A Doideragem: o início dessa construção. Eu buscava algo novo para retomar minha vida em novos patamares. Acreditava que esse novo seria a realização de projetos sociais.
Mas Deus me fez ver que era ele próprio o novo em minha vida. O novo por excelência!


A DOIDERAGEM: COMO TUDO COMEÇOU

DOS ANTECEDENTES DA CRIAÇÃO DO BLOG A DEUS COMO EXPERIÊNCIA CONSTRUÍDA

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Para ver o conteúdo anterior clique aqui.

INTRODUÇÃO

Este conteúdo retrata o contexto de surgimento do blog A Doideragem e as formas como Deus se manifestou em minha vida na condução dos processos relativos. É um relato pessoal de fé em Deus e um pouco da minha história de vida. Depois de me dedicar aos cuidados de minha mãe nos últimos anos de sua vida, eu buscava algo novo para o meu recomeço. Acreditava que o novo seria os projetos sociais de meus desejos há muito guardados.

Mas Deus me fez ver na implementação de um deles que a grande novidade em minha vida era ele próprio.  Compreendi que Deus se utilizara dos projetos para me fazer perceber sua presença em minha vida. Por meio deles, ele me mostrou uma consciência de mim que eu não tinha. A consciência de uma vida baseada em seus ensinamentos.

Este conteúdo retrata o início dessa história pessoal de vida e sugere a sua continuidade em conteúdos sequenciais. Por meio deste e dos conteúdos da sequência é possível se compreender como Deus realiza nossos desejos quando o inserimos em nossa vida. Quando com ele construímos uma experiência. Uma experiência em Deus. É o que procuro demostrar no relato a seguir.


EM BUSCA DE ALGO NOVO... DEUS COMO RESPOSTA

sábado, 27 de março de 2021

Meus Atos de Fé em Deus: o caminho de Deus nas pequenas coisas do meu dia a dia

 OLÁ!

SEJA BEM-VINDO E BEM-VINDA A MEUS ATOS DE FÉ EM DEUS!

Imagem com um muro sob raios de sol e na qual se lê “Meus Atos de Fé em Deus: o caminho de Deus nas pequenas coisas do meu dia a dia.”
Meus Atos de Fé em Deus é o caminho dos conteúdos sobre as manifestações de Deus em minha vida, nas pequenas coisas do meu dia a dia. O lugar das minhas experiências em Deus. Compartilho com você esse caminho! 


 MEUS ATOS DE FÉ EM DEUS

O CAMINHO DE DEUS NAS PEQUENAS COISAS DO MEU DIA A DIA


Meus Atos de Fé em Deus é o caminho de minhas experiências construídas em Deus. O lugar onde apresento conteúdos referentes a manifestações de Deus em minha vida, nas pequenas coisas do meu dia a dia desses últimos anos. Relatos de coisas que vi acontecer e acreditei que somente Deus as tornaria possíveis. Relatos de minha experiência em Deus. Relatos de fé!

Meus Atos de Fé em Deus é o caminho das coisas que considero interessantes e possíveis pela vontade de Deus. Coisas divinas. Acontecimentos em processos cujos resultados só compreendemos pela fé.

Nesse caminho, minha intenção é mostrar os meus aprendizados na minha relação com Deus. Aprendi que ele se manifesta em nossa vida quando o inserimos em nossa experiência. É quando ele dá um jeito de se mostrar. De chamar a nossa atenção para a sua presença em nossa vida. Comigo foi assim.

E você, já tem uma experiência em Deus? Se já tiver, terei o maior prazer em trocar com você as minhas experiências. Se não, quem sabe você não se sinta tocado e tocada com os meus relatos e comece a construir a sua? É muito bom!!

A minha experiência em Deus é parte da minha história de vida. Com certeza, a parte mais importante, mais significativa. É falando dela então que eu gostaria de contribuir com você de alguma forma.

O primeiro conteúdo a ser apresentado nesse caminho é  um relato que mostra como me iniciei na relação com Deus. Ou melhor, como Deus me fez olhar para ele.

Como os demais caminhos deste blog, este também é agraciado por

um guia ou uma guia da minha família bichanada. Neste caso, o meu gato Epifânio.


Imagem do gato Epifânio apresentado como guia do Caminho Atos de Fé em Deus.
Este é Epifânio. O guia dos conteúdos deste caminho Meus Atos de Fé em Deus. 


Epifânio Abençoado de Jesus Pifanito. Meu assistente nº 2. Segunda geração da família bichanada daqui de casa. Nesse caminho, Epifânio conduzirá você a cada conteúdo que eu postar. E tirar suas dúvidas também. Ouvir seus comentários. Suas críticas e sugestões. Tudo com ele. Você preenche o formulário no final de cada conteúdo e nos envia. Epifânio o repassará para mim. Gato abençoado é assim. Sabe tudo.

Em cada conteúdo, Epifânio estará presente. Siga com ele o primeiro conteúdo de Meus Atos de Fé em Deus: Aprendendo a seguir a vontade de Deus. Um caminho abençoado como todos os outros que se guiam pelos caminhos de nosso Senhor Jesus Cristo. Boa leitura e boas reflexões!

Se você tiver alguma dúvida, sugestão, crítica fale com Epifânio. E eu saberei. Ele estará no início e no final de cada conteúdo.

 

Você terminou de conhecer o conteúdo de apresentação do Caminho Meus Atos de Fé em Deus.

Espero que tenha gostado e acompanhe os conteúdos seguintes. 


Conheça outros caminhos do blog

Em cada caminho uma série de conteúdo para compartilhar com você.

Fé e Política

SMF Projetos Sociais


A você, meus agradecimentos!

Fique na Paz! Deus com você!

 

Sônia Ferreira

Teresina, 27 de março de 2021.


quinta-feira, 25 de março de 2021

A Doideragem: o blog apresentação

 


Imagem de apresentação do blog A Doideragem com montanhas sob intenso nevoeiro e ao fundo um por do sol alaranjado.

A Doideragem é mesmo um blog meio doideira. Um blog que se lança para vários lados. Em cada um desses lados, você me encontra porque A Doideragem sou eu com minhas várias facetas. Um blog de vivências, experiências em Deus, projetos sociais, vida acadêmica. Minha história pessoal. Minha vida desde que passei a morar com a família bichanada, meus gatos e gatas. Minha vida desde que Deus tomou assento ao meu lado sob os meus olhos, com o meu consentimento e se instalou de vez em meu viver. Conheça o meu blog e o avalie por você mesmo ou você mesma.



A DOIDERAGEM 

UM BLOG DE MINHAS VIVÊNCIAS, EXPERIÊNCIA EM DEUS E PROJETOS SOCIAIS


Você está numa sequência de dois conteúdos.
Para ver o conteúdo seguinte clique aqui.

Introdução

Este conteúdo tem a ver com a minha história de vida. É um relato pessoal. Retrata minhas tomadas de decisão na definição de rumos da minha vida. Primeiro, por meio de uma pergunta: o que eu tenho e o que posso fazer com o que tenho?

Depois, pela busca de algo novo; pela construção de novas experiências. Nessa busca, Deus me faz ver que ele próprio é a experiência mais significativa. Ele próprio é uma experiência construída.

Finalizando, o conteúdo aborda a variedade do blog associada a vivências minhas, inclusive os projetos sociais. Conclui com a apresentação dos caminhos do blog, espaços nos quais se divide e se agrupa a variedade de assuntos tratados. Cada um no seu devido tempo. Conheça este relato!


Experiências: o que eu tenho e o que posso fazer com o que tenho?

Até dois mil e dezessete, eu dividia minha vida em dois momentos. O antes de mil novecentos e noventa e dois e o depois. Mil novecentos e noventa e dois foram um marco em minha vida. Um divisor do que eu acreditava ser prioritário e valorizado. Um ano de muitas adversidades pessoais que muito me impactaram. Tribulações. Dores. Amarguras. Foi o ano em que me vi caquinhos espalhados por aí. 

Mas também foi o ano que exigiu de mim uma atitude. Uma tomada de decisão baseada nas respostas às seguintes perguntas: o que eu tenho e o que eu posso fazer com o que tenho? Vi que tinha muito. E nesse muito estavam meu pai e minha mãe que precisavam de mim. A idade já lhes pesava o caminhar. Foi quando tomei as rédeas da casa e assumi que dali em diante aquele rumo dependia de mim. 

As respostas àquelas perguntas me ajudaram a tomar as decisões que me levariam a novas definições de vida para os anos seguintes. Assim foi. Juntei meus caquinhos e segui em frente.

Imagem de fundo verde com o título "O que eu tenho e o que posso fazer com o que tenho?"
Imagem 1 do conteúdo A Doideragem: o blog apresentação


A partida de minha mãe rumo ao Pai em dois mil e dezessete finalizou aquelas definições. Então, novamente minha vida se dividia em dois momentos: o antes dos cuidados com a minha mãe e o depois. Este finalizado com a sua partida. 

Dois mil e dezessete era então um ano que me trazia novos posicionamentos frente à minha vida. Eu estava diante de um novo marco. Um novo divisor entre o que eu acreditava ser as minhas certezas e o que eu acreditava valer a pena viver sob novos patamares. 

A diferença do marco anterior é que aquele exigia de mim a aceitação de uma situação que se impunha a mim independentemente da minha vontade. Era algo de fora para dentro. Ao aceitar a situação imposta, ela se acomodou e se naturalizou em meu viver. Por muito tempo foi o meu porto seguro. O meu ponto de acomodação.

No marco recente, a exigência não requisitava nenhuma aceitação. Pelo contrário, partia de uma escolha deliberada. A minha escolha de novas definições para os meus próximos anos. Os restantes de minha vida. Novos rumos. O desejo por algo novo. A busca pelo diferente, pelo estranho. Algo que eu desejava encontrar para que se acomodasse à minha vida e eu pudesse seguir em frente ancorada em novas bases.

Esse desejo de buscas, no entanto, ancorava-se nas respostas às mesmas perguntas do marco anterior, como já dito: o que eu tenho e o que posso fazer com o que eu tenho? O que eu mais tinha eram experiências construídas nos meus cinquenta e seis anos de vida e muitas idealizações; intensos desejos de buscas ou procuras de coisas ou afazeres que eu poderia realizar.

Essas experiências passavam por alguns projetos iniciados e logo guardados. Isto ao longo dos meus últimos mais ou menos trinta anos. Guardados cada um em seu devido tempo. Então o que eu poderia fazer com o que tinha era dar forma a esses projetos, idealizados a cada experiência construída.

Inclusive, foram essas idealizações que motivaram a criação deste blog. Uma plataforma como espaço de acomodação não apenas dos projetos vivenciados, mas dos conteúdos do algo novo das minhas buscas. 

No entanto, o novo sempre requer um ponto de ancoragem. Um lugar onde possa se segurar para poder se estabelecer em terra firme. Então esse ponto não poderia ser outra coisa senão as minhas vivências. Foi esta a conclusão à qual cheguei originalmente depois de muito pensar. 

Mas não foi um pensar isolado. Pelo contrário, foi uma intensa comunhão com Deus. Tanto que ele próprio me fez ver que o meu porto seguro seria as minhas experiências construídas ao longo dos meus anos. Os meus acontecimentos vividos. O meu passado. Somente no meu vivido eu encontraria a justificação e as explicações necessárias ao algo novo de minhas buscas. Somente nele eu saberia o que dizer sobre o novo de meus intentos com mais propriedade, com mais segurança. 

Eis então a razão por que este blog é cheio de vivências minhas. Tem a ver com a minha história pessoal de vida. Mas é nessa história onde encontro Deus, que se mostra a mim e me faz ver que ele é o algo novo de minhas buscas; que ele já era o meu porto seguro. O meu verdadeiro ponto de ancoragem. Inclusive, é sobre ele que trata a seção seguinte.

Da busca por algo novo a Deus como resposta: a experiência construída

Originalmente, na minha busca por algo novo, eu acreditava que esse algo seria a realização de projetos sociais. Desejos meus guardados por longos anos. Esse acreditar mobilizava meus pensamentos em torno de vivências minhas associadas aos projetos de meus desejos. Nos acontecimentos de minha vida, eu encontrava a origem e a motivação dos projetos idealizados. 

Mas as minhas constantes voltas ao passado, antes ação deliberada, tornavam-se meio impositivas. Eu sentia uma força me levando até elas. Só depois eu saberia. Era Deus se interpondo à minha vontade para me mostrar que ele participava da minha vida. Desde sempre. Ele me mostrava o quanto também era parte de minha história; o quanto nele eu havia construído uma experiência. Entendi então que ele era o novo em minha vida. O novo por excelência. A resposta às minhas buscas.

Imagem de fundo verde "Deus em minha vida: o Novo por Excelência"
Imagem 2 do conteúdo A Doideragem: o blog apresentação


Por isso, ao pensar a criação deste blog, eu não poderia deixar de falar dele, do Deus de minhas vivências, o Todo Poderoso e Senhor de nossa vida. Deus concreto. E para falar dele e de sua concretude, eu teria que falar de mim, pois não havia como o desligar de minha história pessoal. Até porque é nesse âmbito que Deus se insere em nossa vida quando permitimos a sua inserção. Então ele já era parte da minha história e da história deste blog em construção. Por isso, os conteúdos deste blog são fortemente marcados por vivências minhas. Relatos de experiências construídas ao longo desses meus cinquenta e nove anos. Experiências em Deus. Hoje eu sei.

Mas também histórias vinculadas a experiências em construção. Histórias que têm a ver com as minhas buscas, sonhos e idealizações. Por isso, os assuntos tratados neste blog se estruturam nesses dois sentidos de uma mesma direção. De uma mesma linha do tempo. Meu passado e meu futuro se encontrando no meu presente. O presente, momentos tão fugazes da minha, da nossa existência. Fluido. Passageiro. Quase nada diante da infinitude do tempo.

Mesmo assim, é nessa fugacidade que este blog se constrói e se reconstrói a partir deste ano de dois mil e vinte e um. O ano dos meus sessenta anos. Da minha nova perspectiva de vida. O ano que nos encontrou ainda atravessando a pandemia do coronavírus. Difícil travessia. 

Mas também o ano de fortalecimento de nossa Fé em Deus. Inclusive, é nessa fé que encontro a motivação necessária para acreditar que os conteúdos compartilhados neste blog possam contribuir de alguma forma com uma ou outra pessoa que tenha comigo alguma similaridade ou algum interesse comum. Ou possam contribuir com quem ainda não encontrou o caminho da construção de experiências em Deus. 

Quer num caso quer noutro, que Deus nos mostre cada vez mais a sua concretude para que o vejamos sempre como experiência construída, Assim seja! Nessa perspectiva, compartilho com você na seção seguinte os assuntos de que trata este blog. Veja!

Projetos sociais, vivências pessoais e experiência em Deus: a variedade do blog A Doideragem

A Doideragem é um blog de assuntos variados. Entre outros temas, aborda minhas experiências em Deus e projetos sociais de minha autoria. Nele se encontram o múltiplo e o diverso. O igual e o diferente. O comum e o científico. O particular e o coletivo. A fé e a política. O vivido e o não vivido. Principalmente, um blog que fala de minha relação com Deus. Assuntos relacionados a diferentes aspectos de minha vida pessoal. Mas também a diferentes aspectos da vida societária. Inclusive, é nessa variedade que se encontra a explicação de seu nome. Também sua justificação. É um blog que se explica e se justifica por si mesmo. 

Não sem razão, pois, eu penso que este é um blog do meio, do muito e do pouco; também do quase nada, do alguma coisa e até do coisa alguma. Talvez um blog meio sem rumo; ou muito alguma coisa ou pouco coisa alguma. Talvez um blog de quase nada aos olhos de muitos ou até de muito pouco aos olhos de outros. Mas que seja um blog com algum atrativo para tantos outros e tantas outras que com algum de seus conteúdos se identifiquem.

Seja como for, A Doideragem é sobretudo um lugar para compartilhar com você conteúdos de diferentes modos de ser. Diferentes modos de se pensar e de se posicionar. Nele, além dos projetos sociais, proponho discutir com você temas sobre fé em Deus, fé e política, trabalhos científicos, inclusive projetos de pesquisa, cuidados de nossos familiares idosos; enfim, uma variedade de assuntos de nossa vida cotidiana, comunitária, acadêmica e política. Por isso, A Doideragem com todo prazer! Com fé em Deus!

Por ser um blog de conteúdos variados, também é um blog bastante dividido. São dez caminhos nos quais se distribuem os conteúdos apresentados. Conheça esses caminhos:

A DOIDERAGEM E SEUS CAMINHOS

Ação de Ajuda

Achados e Trapos

Cuidados com Amor

Fé e Política

Memórias de Mim

Meus Atos de Fé em Deus

Minha Família Bichanada

Neura Científica

SMF Projetos Sociais

SMF Quadros e Cores

 Em cada um desses caminhos uma variedade de conteúdo a ser compartilhada na continuidade dos meus anos. Se Deus quiser. Espero que algum dos assuntos tratados seja do seu interesse e eu possa com você dialogar. 

Imagem de fundo verde com o título "A Doideragem: um blog de assuntos variados em dez caminhos"
Imagem 3 do conteúdo A Doideragem: o blog apresentação


Sinta-se então convidado e convidada a contribuir com a construção deste blog que ora se inicia. Contribuir com um comentário. Uma sugestão. Uma crítica. Uma dúvida. Um desejo. Uma palavra que me ajude a fazer os reajustes necessários a essa construção. E assim melhor poder contribuir de alguma forma com você com o que estiver ao meu alcance. Se Deus quiser e com fé em Deus.

 

Você terminou de conhecer o conteúdo de apresentação deste blog A Doideragem.

Espero que tenha gostado e acompanhe este blog em seus caminhos.

 Conheça um desses caminhos.

Cuidados com Amor

Em cada caminho, uma série de conteúdo para compartilhar com você nesta caminhada que se inicia. 


 A você, os meus agradecimentos!

Fique na Paz! Deus com você!

 

Sônia Ferreira

Teresina, 25 de março de 2021.