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sábado, 4 de setembro de 2021

Deus e Política no Cuidar do Outro: do Próximo Bíblico ao Bem Comum

 

Imagem com a gatinha Joina apresentando o conteúdo Deus e política no cuidar do outro.
Veja neste conteúdo como a ideia bíblica de próximo associada ao cuidar do outro nos remete ao ideal de bem comum e estabelece a conexão entre Deus e Política por meio desse ideal.

Você está numa sequência de conteúdos do caminho SMF Fé e Política. Para ver o conteúdo anterior  Clique Aqui. Para ver o seguinte Clique Aqui.


DEUS E POLÍTICA NO CUIDAR DO OUTRO

DO PRÓXIMO BÍBLICO AO BEM COMUM

 

INTRODUÇÃO

A ideia de próximo na Bíblia Sagrada e a de bem comum na política integram dois conceitos que se complementam e se constituem como pontos de conexão entre Deus e política. Tanto um quanto o outro sugerem o cuidar do outro como fim das nossas ações. Pela ideia de próximo, o próprio Altíssimo nos coloca essa responsabilidade: o cuidar individual de uns com os outros.  Pela ideia do bem comum, a política assume esse ideal divino de se cuidar do outro. Neste caso, porém, de forma coletiva por meio das estruturas governamentais de atendimento à coletividade.

Veja nas seções seguintes a relação entre esses dois conceitos de forma mais acentuada.

 

DEUS E POLÍTICA: CONCEITOS INTRÍNSECOS À NOSSA CONDIÇÃO HUMANA E À VIDA EM SOCIEDADE


Política é um conceito bastante amplo, embora não tanto quanto o de Deus, porque quando se criaram as primeiras ideias a seu respeito, as de Deus já iam longe. No entanto, tem com o conceito de Deus a similaridade da ignorância de muitos e da rejeição de muitos outros. Ignorância e rejeição que concorrem para o nosso afastamento de questões centrais à nossa vida pela falta da experiência em Deus e da experiência em participação política. Também contribuem para a negação de Deus e da política como dimensões centrais da vida humana.

No entanto, a despeito da negação e da ignorância de uns e de outros, tanto o conceito de Deus quanto o de política são intrínsecos à nossa condição humana e à nossa vida em sociedade. Não há como prescindir deles, posto que estão em nós independentemente da nossa vontade. Somos partícipes das ideias que esses dois conceitos imprimem sobre nós. Somos instituídos e inseridos nas suas ideias num grau maior ou menor.  Quer queiramos quer não. Vamos ver?

Do conceito de Deus, vejamos a ideia do Deus criador de todo o Universo. Neste, o homem e a mulher como a criação divina de maior importância e para a qual o Criador destina toda a sua atenção. Essa ideia sugere a compreensão de que toda a racionalidade divina gira em torno do homem e da mulher, precisamente porque criados para se desenvolverem à imagem e à semelhança de Deus. Essa racionalidade insere a todos e a todas, uma vez que estamos a serviço da obra de Deus Criador, que nos mobiliza como instrumentos seus na vida uns dos outros. 

Do conceito de política, vejamos a ideia de vida em sociedade: o viver sob regras que nos inserem a todos como partícipes das relações sociais instituídas. Relações essas que nos colocam na relação uns com os outros de forma interdependente e necessária. É no campo político que essas relações se instituem e se naturalizam como condição para a vida em sociedade conforme as suas regras e os seus valores.

Como visto, essa condição nos insere a todos pela dimensão política intrínseca à nossa condição humana. Como humanos, somos naturalmente seres políticos. Como tais, necessitamos uns dos outros para a nossa construção e afirmação humanas. Essa necessidade torna imprescindível o cuidar do outro como cuidado de si, de modo a tornar possível a nossa própria sobrevivência e a nossa construção como pessoa humana. É sobre esse cuidado de que trata a seção seguinte. Veja!

 

O PRÓXIMO BÍBLICO E O BEM COMUM NO CUIDAR DO OUTRO

A ideia do cuidar do outro nos remete a duas outras ideias acerca dos conceitos de Deus e de política. Em Deus, a ideia bíblica acerca do próximo. Na política, a ideia de bem comum. Pela primeira, são vários os relatos bíblicos a nos sugerir a importância do outro – o nosso “próximo” – para a nossa vida:

“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam” (Mt 6, 12)

“Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles.” (Mt 7, 12)

“Amarás teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19, 18).

São relatos reveladores da centralidade dos cuidados com o outro como expressão do amor fraterno. Amar é cuidar do outro como cuidar de nós mesmos. Cuidar do outro é o que nos sugere Deus como fim das nossas ações. Inclusive, o próprio Jesus Cristo nos diz em seu Evangelho que ninguém demonstra maior amor do que aquele que dá a sua vida por amor a outro.

Assim, diante de Deus não somos importantes por nós mesmos, mas o somos apenas à medida que atribuímos ao outro, ao nosso próximo, a sua devida importância. Essa compreensão sugere que, para Deus, primeiro o outro, depois nós, mesmo quando a nossa vida esteja em risco. Pois nesse risco está a nossa abnegação, o nosso desapego à nossa vida em favor da vida do outro.

Essa compreensão pode ser atribuída também à política por meio do ideal do bem comum. Uma compreensão extensiva, uma vez que o que se opera no âmbito individual pode ser estendido ao âmbito da coletividade: o âmbito no qual se realiza o ideal do bem comum.

No entanto, o cuidar do outro nesse âmbito está fora do alcance da capacidade individual ou de um pequeno grupo. Daí a necessidade de uma entidade maior com poder superior que alcance esse ideal. Essa entidade é o Estado, o qual tem como fim assegura a vida em sociedade por meio das estruturas criadas. 

Por isso, o Estado somente existe enquanto cumpre a sua finalidade de assegurar a vida das pessoas por meio da realização do bem comum. E o bem comum não se realiza senão sob a observância aos princípios que Deus nos sugere em seus ensinamentos.

Entre esses princípios, a honestidade é fundamental, essencial ao respeito ao outro tanto na sua unidade, singularidade e diversidade quanto no seu direito natural de dispor dos mesmos meios, bens e serviços disponíveis ao todo coletivo. A satisfação ou suprimento desse direito é o que assegura à pessoa humana tanto a vida quanto o viver com dignidade.  


Você terminou de conhecer o nono conteúdo do caminho SMF Fé e Política.

Espero que tenha gostado e continue nesta sequência.

A você, meus agradecimentos!

A Paz esteja com você! 

Sônia Ferreira

Teresina, 04 de setembro de 2021.


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Ideias do Fazendo Valer o Nosso Voto: das pautas dos eleitores às mil e uma ações coletivas

 

Imagem com a gata Lady Miau apresentando o conteúdo “Ideias do Fazendo Valer o Nosso Voto: Das Pautas dos Eleitores às Mil e Uma Ações Coletivas”
As Pautas dos Eleitores pelo projeto social Fazendo Valer o Nosso Voto foram pensadas para as Eleições 2018. Elas exigem mudança nas leis para poder ganhar forma. Por isso, continuam valendo. Deixam ideias lançadas no ar. Veja se você se identifica com alguma delas.

IDEIAS DO FAZENDO VALER O NOSSO VOTO

DAS PAUTAS DOS ELEITORES ÀS MIL E UMA AÇÕES COLETIVAS 

 

O QUE É O FAZENDO VALER O NOSSO VOTO? 

É um Movimento que se pretende organizado, articulado e construído sob dois objetivos: 

1) Defender o Serviço Público de Bem Comum para que tenhamos serviços públicos na quantidade e com a qualidade que buscamos, que merecemos e que temos direito como cidadãos brasileiros e cidadãs brasileiras. Quem busca, pode encontrar. Busquemos, pois, Serviços Públicos de Bem Comum. 

2) Proteger a Constituição Brasileira para evitar que seja alterada a qualquer momento pelos parlamentares, conforme a conveniência do momento, observando mais interesses particulares do que os interesses da população. Quem ama, cuida. Cuidemos, pois, da nossa Constituição Federal. 

A ideia é elaborar pautas nas diversas áreas de interesse público e fazê-las valer nas eleições 2018. Registrá-las no TSE ou nos TREs locais antes que os candidatos registrem suas candidaturas. Durante a campanha, no horário eleitoral, os candidatos e as candidatas defenderão as nossas pautas recheadas de necessidades e direitos, em vez das suas pautas vazias de significados e sentidos porque distantes da vida das pessoas, de seus anseios e necessidades, vida essa que nem sempre ou os candidatos a cargos eletivos não conhecem ou não se interessam porque pautam seus mandatos distanciados dos interesses da população. 

Como as pautas elaboradas podem esbarrar em algumas leis, a outra ideia é lutar por uma Constituinte em 2019 para revisão da Constituição Cidadã de 1988 que, agora em 2018, completa 30 anos da sua promulgação.  Ao longo desse tempo, foram muitas as alterações. A revisão vai nos possibilitar ver o que perdemos, o que ganhamos, o que não queremos mais perder, o que queremos ganhar com as demandas que apresentaremos a partir da elaboração das pautas... 

Mas, principalmente, encontrar meios de tomar a Constituição Brasileira em nossas mãos e fazê-la valer como a Norma Maior do nosso país, a nossa Carta Magna a ser observada sempre como algo a ser seguido, pois lá está prescrito o caminho, preceituada a ação; por isso, não deve ser tomada a qualquer momento para alterações conforme a conveniência do momento e do interesse nem sempre voltado para o Bem Comum. Por isso, todo cuidado é pouco. Cuidemos, pois, da nossa Constituição Brasileira! 

As 1001 Ações Coletivas são uma proposta de enfrentamento à situação política pela qual passa o nosso país. Creio que muitos de nós cidadãos e cidadãs brasileiras e brasileiros já estamos cansados e cansadas desse modo nojento de se fazer política no Brasil. E muitos certamente já estão desesperançados, achando que o nosso país não tem mais jeito e que estamos fadados a ser trucidados por governantes e parlamentares sem compromisso com o país, com o estado, com o município ao qual representam, conforme o caso; que demonstram em suas práticas que o estar nas casas legislativas e nos palácios de governos é o mesmo que está nas varandas de suas casas recebendo parentes e amigos para a grande farra seja qual for; que a única coisa que sabem fazer, e fazem muito bem, é dilapidar o patrimônio público, a depenar o Brasil como se este fosse sempre o pato da vez. Em prol da população brasileira, do seu bem-estar, do seu viver com honra e dignidade, nada fazem.  

Mas esta é uma situação que cabe a nós mudar, a nós como eleitores e eleitoras; também como pessoas que, todos os dias, em nossas práticas diárias, sobrevivemos a duras penas as consequências das ações nefastas de políticos e governantes. Mas, cabe a nós mudar essa situação. 

Afinal, a nossa Constituição diz que “Todo o poder emana do povo” não diz? Então, façamos valer esse poder que é nosso. E este é um momento bastante oportuno para fazer isso, pois estamos órfãos de quaisquer governos, de quaisquer representantes políticos e até de instituições; órfãos, porque nenhum dos grupos políticos, que já se reorganizam e mudam de pele com interesse em continuar com as rédeas do país, nenhum, mas nenhum mesmo, demonstra estar preocupado com o Brasil, muito menos com sua gente. Só o que lhes interessa é continuar no poder e, assim, ter os recursos públicos em mãos para aplicação como bem privado de interesse de poucos. Mas cabe a nós mudar isso para que tenhamos um país de todos os brasileiros, um país onde a vida digna para todos seja possível. 

Por isso, apresento esta proposta de “Defesa do Serviço Público de Bem Comum em 12 Ações Coletivas”, doze ações iniciais, porque podem ser tantas quantas quisermos que sejam. É uma proposta-provocação, uma tentativa de tirar do lugar aqueles e aquelas que criticam, analisam, avaliam, estudam a situação do país, mas não passa disso. O momento exige ação.  É hora de todos os letrados, críticos, estudiosos, colocarem seus saberes a serviço da população brasileira, da grande massa da sociedade civil, como forma de contribuir com a construção de um novo Brasil, de uma nova ética política para o país, uma nova ética pela qual os serviços públicos com qualidade sejam possíveis a todos nós brasileiros e brasileiras. 

O QUE DEVEMOS CONSIDERAR NA ELABORAÇÃO DE NOSSAS PAUTAS?

Apresente suas sugestões.

Neste momento, a união de forças é bastante necessária.

Por isso

 Sejam bem-vind@s tod@s os que com seus saberes sentem e sabem que podem contribuir

com a Defesa do Serviço Público de Bem Comum.

A presente proposta é apenas um ponto inicial de provocação frente ao muito que podemos fazer.

Então

Se você sente e sabe que pode contribuir, não se omita. Traga suas ideias.

O Brasil precisa de você, de todos nós brasileiros e brasileiras.

Se não concorda com esta proposta, apresente a sua.

Só não vale ficar de fora.

Integre-se! Participe!

 

Se esta proposta não lhe representa, apresente a sua!

Mas não deixe de se engajar neste Movimento.

Participe!

Se este Movimento não lhe representa, crie o seu, faça alguma coisa.

O que não dá mais é não fazer nada por um país agonizante de vidas agonizantes como o nosso.

 

Este conteúdo foi postado pela primeira vez no dia 2 de janeiro de 2018 no blog fazendo valer o nosso voto desativado em 2020. Mas devido à sua atualidade, eis que o posto novamente.

 

A você, meus agradecimentos!

Deus esteja com você!

Sônia Ferreira

Teresina, 03 de setembro de 2021.


sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Histórico do Projeto Social Fazendo Valer o Nosso Voto: as ideias originárias

 

Imagem com a gata Lady Miau apresentando o conteúdo "Histórico do projeto social Fazendo Valer o Nosso Voto".
Este conteúdo inicia uma sequência do histórico do projeto Fazendo Valer o Nosso Voto. Serão apresentadas as ações executadas no início da implementação do projeto em 2018. Uma tentativa de divulgar o projeto.
Veja como começou.

HISTÓRICO DO PROJETO SOCIAL FAZENDO VALER O NOSSO VOTO

AS IDEIAS ORIGINÁRIAS  


O QUE É O FAZENDO VALER O NOSSO VOTO?

O Fazendo Valer o Nosso Voto é um projeto social de fortalecimento do Serviço Público em início de construção, buscando se afirmar como movimento social permanente, organizado, articulado e construído sob dois objetivos:

1) Defender o Serviço Público de Bem Comum para que tenhamos serviços públicos na quantidade e com a qualidade que buscamos, que merecemos e que temos direito como cidadãos brasileiros e cidadãs brasileiras. Quem busca, pode encontrar. Busquemos, pois, um Serviço Público de Bem Comum para que tenhamos serviços públicos para todos os brasileiros e brasileiras.

2) Proteger a Constituição Brasileira para evitar que seja alterada conforme a conveniência do momento, de modo a proteger sempre as garantias constitucionais e os direitos assegurados. Quem ama, cuida. Cuidemos, pois, da nossa Constituição Federal, a nossa Carta Magna.

A ênfase no Bem Comum é para que nunca percamos de vista esse aspecto: o Serviço Público é a grande Máquina Pública, o grande motor gerador e gestor de serviços públicos para Todos, é o motor da Coletividade, do Interesse Público, da População em Geral e, por isso, jamais devemos desejar os Recursos Públicos, que o mantêm, como bem /////////privado, como algo pessoal, particular, coisa muito desejada nessa ética perniciosa instalada e tolerada há muito tempo em nosso país; uma ética pela qual a apropriação dos recursos públicos pelo interesse privado é vista como normal, aceitável e até desejável por muitos, o que faz com que muitos queiram levar alguma vantagem na apropriação de recursos públicos, num grau maior ou menor, conforme as suas possibilidades e acessos.

Ao se falar de interesse privado, consideremos tanto organizações privadas que se utilizam de recursos públicos para manter seus interesses privados, quanto a nós mesmos como pessoas comuns nas nossas ações do dia a dia, no nosso desejo de tentar levar vantagem, por exemplo, quando aceitamos um cargo comissionado para receber algum recurso público no fim do mês sem cumprir expediente ou sem dar a contrapartida necessária, ou quando votamos com a promessa de ganhar algum cargo público ou outras benesses, ou quando nos utilizamos do nosso cargo público para favorecer aos amigos em detrimento da pessoa anônima representativa da grande massa destinatária dos serviços públicos.

O Movimento Fazendo Valer o Nosso Voto se contrapõe a essa ética perniciosa que faz com que o bem público seja tomado como bem privado; se contrapõe a essa ética pautada na insignificância do outro, no desrespeito, na desonestidade; se contrapõe a essa ética na qual se criam e se fortalecem a corrupção, os corruptos, os corruptores e os corruptíveis; logo, uma ética de alta periculosidade ao Serviço Público de Bem Comum, voltado à população em geral, indistinta, anônima, sem cara e sem rosto definidos, aos seus interesses, necessidades e expectativas.

O Fazendo Valer o Nosso Voto foi pensado originalmente como a construção de um movimento que agregasse distintos setores da sociedade na execução de suas ações a partir das eleições de 2018.


Em se contrapondo, o Movimento Fazendo Valer o Nosso Voto propõe a construção de uma nova ética, uma ética pautada no Bem Comum, ou seja, uma ética na qual possamos considerar os outros como pessoas dignas dos mesmos direitos que atribuímos a nós mesmos.

Para isso, na construção dessa nova ética, é preciso novos modos de agir na nossa relação com os serviços públicos, com os órgãos públicos, com os nossos governantes, com os nossos representantes nas casas legislativas e, principalmente, com nós mesmos enquanto eleitores e eleitoras. E tudo começa com o nosso Voto. Daí o nome do Movimento “Fazendo Valer o Nosso Voto”. E isso pressupõe participação ativa, engajamento, vigília, mas, sobretudo, ação constante. Sem ação não há mudança.

Como meio de busca desses novos modos de agir, inicialmente, o Movimento FVNV apresenta a proposta intitulada “Defesa do Serviço Público de Bem Comum em 1001 Ações Coletivas”. É um meio de luta, de busca por serviços públicos com a qualidade e a quantidade que atendam a todos e a todas; ou seja, um meio de fazer funcionar a grande máquina pública em prol da população.

E ainda, o FVNV é um meio proativo de participação popular na política eleitoral, de modo que possamos iniciar a construção dessa nova ética no Serviço Público. Isso, a partir  de uma nova relação com os nossos representantes nas casas legislativas, com os nossos governantes nos palácios de governos, com o Serviço Público em seus vários órgãos da Administração Pública e com os serviços públicos onde quer que estejam.

Logo, o FVNV é um Movimento político, de ideias políticas, voltado para a ação, mobilização, e construção coletiva de novas bases políticas para o nosso país, um país possível para todos nós brasileiros e brasileiras. E tudo isso já considerando as próximas Eleições. Participemos, pois, ativamente, das Eleições 2018.

O momento não poderia ser mais oportuno para nossa participação ativa no processo eleitoral, pois deputados e senadores no Congresso Nacional revelam a cada ação que não nos representam como deveriam, que não respeitam o nosso voto, que não estão preocupados com os nossos anseios e as nossas necessidades enquanto população brasileira. Há muito negaram a aliança com o povo com os votos com os quais os elegemos.

E certamente o modo de agir do Congresso Nacional tende a ser o mesmo das Assembleias Legislativas estaduais e das Câmaras Municipais; e o modo de agir do Planalto da Alvorada, certamente não se diferencia muito do modo de agir dos palácios de governos estaduais e municipais, pois todos se submetem à mesma ética perniciosa que lhes faz esquecer o compromisso com o povo, a palavra empenhada aos eleitores por meio do voto, e a obrigação da lisura e transparência em suas ações. Que me perdoem os que se salvam como exceções.

Daí a necessidade de, pelo menos, tentarmos um novo jeito de fazer e de pensar a política brasileira, para que se fortaleça o Serviço Público de Bem Comum e, assim, a qualidade dos serviços públicos ganhem cada vez mais destaque na vida de brasileiros e brasileiras, pois, do jeito que está é que não dá mais para continuar. Vamos, pois, tentar mudar esse rumo; tentar construir uma nova história!... E o momento não poderia ser mais oportuno. Preparemo-nos, pois, para as Eleições 2018 com proposições e propostas objetivas.

Fazendo Valer o Nosso Voto! 

Adote e Compartilhe essa Ideia!

Conheça a proposta de Defesa do Serviço Público de Bem Comum em 1001 Ações Coletivas

Participe desse Movimento!  Junt@s seremos mais fortes!

Participe dessa construção de fortalecimento da nossa democracia!

Façamos valer o que diz a nossa Constituição Federal: “Todo o poder emana do povo”.

Façamos valer, pois, o nosso Poder Soberano.

Levante essa bandeira!

 

Sônia Ferreira

Teresina, 10 de maio de 2018.

 

Este conteúdo foi postado pela primeira vez em maio de 2018 no

blog fazendo valer o nosso voto desativado em 2020.

Mas devido à sua atualidade, eis que o publico novamente.

A vocês, meus agradecimentos!

Deus esteja com você!

Sônia Ferreira

Teresina, 27 de agosto de 2021


sábado, 21 de agosto de 2021

O que tem a ver a Política com o nosso nascer e o nosso viver? Compreendendo o conceito de Política e sua relação com o Estado e o Bem Comum

 

Imagem com a gata Joina apresentando o conteúdo “O que tem a ver a Política com o nosso nascer e o nosso viver? Compreendendo o conceito de Política”
Neste conteúdo compreenda como a Política influencia as nossas condições de vida. Como lugar das ideias e dos acontecimentos que impactam o nosso viver, ela tem nas leis, na ética e em nossos valores as bases sob as quais se mantém; e na sua relação com o Estado, a possibilidade do Bem Comum. 


Você está numa sequência de conteúdos do caminho SMF Fé e Política. Para ver o conteúdo anterior Clique Aqui. Para ver o seguinte Clique Aqui.


O QUE TEM A VER A POLÍTICA COM O NOSSO NASCER E O NOSSO VIVER?

COMPREENDENDO O CONCEITO DE POLÍTICA E SUA RELAÇÃO COM O ESTADO E O BEM COMUM

 

A POLÍTICA COMO DETERMINANTE DO NOSSO NASCER E DO NOSSO VIVER

Onde nascemos? Em que condições nascemos? Como era a cidade, o estado e o país onde nascemos e fomos criança? Como essa cidade, esse estado e esse país se desenvolveram à medida que crescemos e nos tornamos pessoas jovens, adultas e idosas? Como foi o nosso crescimento ou nosso desenvolvimento como cidadão ou cidadã à medida que a cidade, o estado e o país onde nascemos e crescemos se desenvolveram? Você já pensou nisso? Se não, vamos pensar?

Para começar, vamos transformar todas essas perguntas numa única: sob quais acontecimentos políticos nós nascemos e vivemos ao longo dos nossos anos? Ao nos perguntar onde nascemos e vivemos e sob quais acontecimentos políticos, essa pergunta nos leva a um lugar e a uma época cujas condições políticas determinaram as condições do nosso nascer e do nosso viver. Cada qual na sua situação econômica de pobre, rico ou rica ou mais ou menos uma coisa e outra.

Isto porque as condições políticas de uma determinada época influenciam as ideias dessa época. Por conseguinte, influenciam o lugar onde nascemos e crescemos e determinam as condições do nosso nascer e do nosso viver: nascemos e crescemos sob uma vida melhor ou pior, boa ou ruim num grau maior ou menor de conforto e bem-estar conforme as condições políticas do momento.

Em outras palavras: as condições políticas geram as ideias e os acontecimentos políticos que chegam à nossa vida onde quer que estejamos e a afetam de alguma maneira com consequências boas ou ruins de curto a longo prazo. Ideias e acontecimentos que dinamizam o nosso comportamento e as nossas ações, criando modos de ser e de agir.

Quando falamos de condições políticas e acontecimentos políticos, sugerimos que por trás ou para além do nosso nascer e do nosso viver existe algo que os determina; algo que faz com que o nosso nascer e o nosso viver sejam ou tenham sido da forma como o foram ou da forma como ocorreram.

Esse algo é a Política, um conceito associado à organização da nossa vida em sociedade; ou seja, um conjunto de ideias a partir das quais se criam e se recriam as estruturas de poder que organizam a nossa vida em sociedade e determinam uma vida com algum grau de satisfação e bem-estar para todos e todas nós que compomos a população em geral. Essas estruturas geram novas estruturas e produzem igualmente novas ideias que realimentam a Política e seu conceito, ampliando assim o seu escopo de significados.

Quando falamos de um conjunto de ideias, sugerimos a existência de uma multiplicidade de saberes ou conhecimentos acerca da sociedade na qual se constrói a Política. Esses saberes é que constituem o conceito de Política na sua amplitude e sob as quais se geram as ideias e os acontecimentos políticos que impactam ou influenciam a nossa vida, ainda que por um determinado momento. Isto porque a Política é uma construção contínua; logo, não acabada e continuamente renovada. Ela sempre se constrói e se reconstrói ou se atualiza conforme as ideias que a compõem num determinado momento. Como as ideias são concebidas por pessoas, e as pessoas mudam, as ideias mudam também; e a Política se reconfigura conforme mudam as ideias que a sustentam ou que a mantêm.

Em seu reconfigurar-se a Política cria e recria as condições sob as quais ela se constrói e se mantém continuamente. Subjacente a suas novas configurações estão os valores sob os quais a sociedade igualmente se constrói e se mantém. Esses valores qualificam tanto a ética que orienta o nosso viver quanto as leis que organizam a vida em nossa sociedade. Logo, qualificam também a nossa política. Para saber mais sobre esses assuntos, veja a seção seguinte. 


AS LEIS, A ÉTICA E OS VALORES COMO FUNDAMENTOS DA POLÍTICA 

Parte das ideias que constituem a Política vinculam-se às leis e nelas se atualizam, já que são as leis que organizam a vida em sociedade de forma legítima. Outra parte, talvez a mais significativa, advém dos aprendizados individuais, especialmente aprendizados construídos naturalmente na convivência familiar e comunitária ou social.

Imagem de fundo rosa informando que parte das ideias que constituem a Política vinculam-se às leis e nelas se atualizam, pois são as leis que organizam nossa vida em sociedade de forma legítima. Outra parte, talvez a mais significativa, advém dos nossos aprendizados individuais construídos espontaneamente na convivência familiar e comunitária.


São aprendizados que se constroem entre os saberes da sociedade e as nossas particularidades individuais de adaptação a essa sociedade. Como esses saberes são carregados de valores, adaptamo-nos aos valores constitutivos da moral dessa sociedade. Adaptamo-nos aos seus valores morais, ao que é significativo ou valorado pela sociedade.  Sob esses valores construímos e reconstruímos os nossos aprendizados, ajustando-nos ou nos contrapondo de diferentes modos muito particularizados.

À medida que se aperfeiçoam em nossa vida e nela se estabelecem, esses aprendizados passam a compor igualmente o conjunto de aprendizados da sociedade. Aprendizados que se transformam em tradições quando transmitidos de uma geração a outra.  E como transmitir aprendizados é o mesmo que transmitir valores, significa que nas tradições seguem os nossos valores. Em outras palavras: nossos aprendizados de tanto se repetirem ao longo das gerações fortalecem as tradições pelas quais se transmitem os nossos valores. Passam a compor a nossa cultura.

Assim, quanto mais as tradições se reproduzem mais se consolidam em nossa cultura e mais seus valores se sedimentam na sociedade. Esses valores quanto mais consolidados mais definem comportamentos e modos de agir de forma natural, exatamente porque aceitos sem questionamentos e igualmente reproduzidos.

Inclusive, uma forma usual de se tentar neutralizar possíveis questionamentos é se dizer que determinados modos de agir “fazem parte da nossa cultura” ou que “são próprios da nossa cultura”, ou então “desde que o mundo é mundo isso é assim.” É como se nos dissessem: “deixem como está porque isso não se muda” ou “se é assim, é assim que será".

No entanto, afirmações ou suposições dessa natureza somente ocorrem em relação ao que a sociedade considera legítimo em decorrência de seus valores aceitos e aceitáveis. Ao que não é aceito, é o repúdio que se vê. Inclusive, é nesse âmbito da rejeição que se criam determinadas leis, geralmente com dupla finalidade. Uma, conformar e punir comportamentos não ajustados aos valores da sociedade; outra, direcionar comportamentos visando a determinados fins relacionados à organização racional da sociedade.

Tanto num caso quanto noutro, as leis se evidenciam na sua própria importância de organização ou ajustamento da sociedade. Isto porque nossos comportamentos individuais são díspares demais para se ajustarem a fins comuns ainda que sob os mesmos valores. No entanto, são esses valores que se instituem como princípios gerais de fundamento da ética de nossa sociedade.

A ética é o que orienta a nossa conduta individual e legitima os comportamentos considerados aceitáveis. A ética cujos valores norteiam igualmente os princípios da Política e nos asseguram determinados modos de agir também nesse âmbito.

Assim, podemos afirmar que a Política se desenvolve ou se constrói entre as leis e a ética, isto é, entre os valores legitimados pela sociedade em sua cultura. Isto porque tanto as leis quanto a ética são fundamentadas em nossos valores. Isto significa que cada sociedade dispõe de uma Política particular e diferenciada, já que cada uma tem sua cultura própria; isto é, suas particularidades legais e éticas; logo, valores próprios.

 É a cultura que estabelece as diferenças entre a Política de um país e outro, ainda que preservando similaridades e ideais comuns. Entre esses ideais, existe um que é peculiar (e se não é, deveria ser) a toda e qualquer Política: o ideal do Bem Comum sobre o qual trataremos na seção seguinte.

Antes, porém, vejamos como a Política e as leis influenciam o nosso nascer e o nosso viver em nossa sociedade brasileira. É no âmbito da política que se organiza toda a nossa vida em sociedade, estejamos nas cidades ou nos campos. Regulamentam-se o nosso sistema de governo e os nossos processos democráticos; os serviços públicos e privados que chegam a nossa região de morada e à nossa casa. E tudo isso é por meio das leis.

Algumas das leis nos alcançam de uma forma ou de outra, onde quer que vivamos no território brasileiro.  Como exemplos, a lei eleitoral e a lei do imposto sobre circulação de mercadorias (ICMS). Outras leis são criadas para toda a população, mas muitos e muitas não alcançam seus benefícios porque nos lugares onde habitam não constam as estruturas materiais necessárias ao cumprimento da lei. Neste caso, citemos como exemplos a lei do Sistema Único de Saúde (SUS) e a Lei das Diretrizes e Bases (LDB) da educação nacional para todos e todas.

Assim como no âmbito político se gestam as ideias e se criam os acontecimentos que impactam a nossa vida por meio das leis, somente no mesmo âmbito é que se criam as condições de mudança das questões que não se adequam aos nossos interesses. É no mesmo âmbito que se procuram suprir carências consolidadas ao longo de muitos anos, muitas gerações, a despeito dos avanços alcançados por muitas leis.

Vejamos na seção seguinte, como a Política e as leis citadas se relacionam ao Estado e ao Bem Comum.

 

O BEM COMUM COMO FIM DA POLÍTICA E DO ESTADO 

Como visto na seção anterior, a Política tem a ver com a organização da vida em sociedade. Essa organização supõe a criação de uma estrutura de poder à qual se vincula a vida das pessoas na sociedade. Essa estrutura de poder é o Estado: um ente abstrato com um poder superior que submete a vida de todas as pessoas da sociedade, de toda a população indistintamente; ou seja, nascemos e vivemos sob as determinações do Estado, que nos impõe a todos e a todas um dever de obediência por meio de suas leis.

Mas ao organizar a vida em sociedade, o Estado cumpre também a finalidade de prover a população com os serviços necessários à vida humana com dignidade e segurança. Essas são as funções básicas do Estado, razão pela qual ele existe e com a qual cumpre a função primeira de criar as condições para o alcance do Bem Comum. Essas condições implicam a existência de estruturas materiais e humanas – as instituições públicas – pelas quais o Estado realiza o ideal divino de cuidar do outro no âmbito da coletividade e assegurar vida digna a todos. O Estado que não cumpre essas funções contraria a sua razão de ser.

Imagem de fundo rosa informando que ao organizar a vida em sociedade, o Estado cumpre a finalidade de prover a população com os serviços necessários à vida humana com dignidade e segurança. Essa é a razão pela qual o Estado existe e com a qual cumpre a função primeira de criar as condições necessárias ao alcance do Bem Comum, realizando o ideal divino de cuidar do outro no âmbito da coletividade e assegurar vida digna a todos e a todas. O Estado que não cumpre essas determinações contraria a sua razão de ser.


É com a criação e a manutenção dessas estruturas que o Estado se mantém e atua no desenvolvimento da sociedade. E isso ocorre por meio da Política cuja finalidade primeira é observar os princípios da coletividade representados principalmente pelo ideal do Bem Comum, a utopia a ser continuamente buscada ou perseguida pelo Estado.

Observar os princípios da coletividade é perseguir a justiça inerente a esses princípios. Isto porque a Política é a arena na qual se discutem as questões do Estado e da Sociedade em sua relação mútua. E o Bem Comum é o mediador dessa relação, o princípio pelo qual se efetiva a justiça e fim para o qual convergem as distintas forças políticas em suas correlações.

Por isso, alcançar o Bem Comum se torna a finalidade primeira do Estado no seu ajustamento da sociedade. E a Política é a condição de possibilidade desse alcance, pois é ela que dinamiza os acontecimentos ou cria as condições para que o Estado oriente a sua ação no cumprimento de suas funções. Quando o Estado não as cumpre, significa que a Política está em crise com os seus valores. Assim, tem-se a evidência de que a sua ética não está em conformidade com o ideal do Bem Comum.

A Política e a forma como o Estado é administrado é que determinam a existência das estruturas materiais e humanas necessárias ao cumprimento de suas funções. Logo, a forma como os governos administram o Estado é o que determina as condições do nosso nascer e do nosso viver. 

Imagem de fundo rosa informando que a política e a forma como o Estado é administrado é que determinam a existência das estruturas materiais e humanas necessárias ao cumprimento de suas funções. Logo, a forma como os governos administram o Estado é o que determina as condições do nosso nascer e do nosso viver.


Assim, vivemos bem ou mal conforme o governo do momento e as forças políticas que o mantêm. Vivemos bem ou mal conforme a ética política que possibilita a preservação de estruturas de poder que dinamizam suas forças muitas vezes contrariando os princípios da coletividade; princípios esses pelos quais o interesse público é sempre soberano e o direito de um não pode ser suprimido pelo direito do outro nem a justiça destituída da medida da necessidade.

A não observância desses princípios é o que impede grande parte da população não alcançar serviços públicos selados com o emblema de “para todos”. Impede que as estruturas materiais e humanas de poder, uma vez destinadas à população, não cumpram suas funções ou as cumpram de forma precária. Por essa razão é que o Bem Comum é sempre referenciado como um ideal, algo a ser continuamente buscado. A Política é o campo por excelência de efetivação dessa busca.  

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A você, meus agradecimentos.

Deus esteja com você!

Sônia Ferreira

Teresina, 21 de agosto de 2021.

 



sexta-feira, 30 de julho de 2021

O que é o Bem Comum? Uma compreensão a partir dos conceitos de bens privados e bens públicos e direito coletivo

Neste conteúdo veja como a partir dos conceitos de bens públicos e bens privados podemos compreender o conceito de Bem Comum e sua relação com o direito da coletividade. Também um exemplo que retrata um modo de corrupção em serviços públicos como obstáculo à realização do bem comum.

 

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O QUE É O BEM COMUM?

UMA COMPREENSÃO A PARTIR DOS CONCEITOS DE BEM PRIVADO, BEM PÚBLICO E DIREITO COLETIVO

 

INTRODUÇÃO

O Bem Comum é um conceito que se constrói no limiar de dois outros conceitos: o de bem privado e o de bem público. Na confluência desses dois conceitos, vincula-se um terceiro: o de direito coletivo ou da coletividade. É nessa confluência que surgem as ideias constitutivas do conceito de Bem Comum a partir das quais podemos melhor compreendê-lo e afirmá-lo. Na construção dessa compreensão, vejamos inicialmente o que é bem privado e bem público para em seguida comentar sobre Bem Comum e direito da coletividade. No final, um exemplo que retrata uma forma de corrupção em serviços públicos a impedir a realização do bem comum.


BENS PRIVADOS E BENS PÚBLICOS

O conceito de bem privado e o de bem público estão geralmente na mesma relação. Somente há o bem público porque há o bem privado e o desejo particular de posses que o assegure. E do bem privado o bem público não pode prescindir sob pena de comprometer sua própria existência. No entanto, dele precisa se distinguir para com ele não se confundir; ou seja, é preciso se reconhecer o bem público para que ele não seja tratado nem tomado como bem privado.

O bem privado pode ser definido como o bem reservado a uma determinada pessoa ou grupo por seus próprios esforços, herança ou doação; o bem do qual a pessoa pode usufruir conforme lhe aprouver porque nele não há a participação nem o direito de outros; o bem ao qual é assegurada uma posse individual ou grupal e por isso assegura ao proprietário o direito de propriedade; ou ainda:  o bem cuja posse assegura ao proprietário a ele se referir de forma possessiva sob as insígnias “é meu” ou “é minha”; ou ainda “é nosso” caso a propriedade seja de um determinado grupo.

A partir dessas várias maneiras de se definir o bem privado, observemos a evidência de pelo menos três ideias na construção do seu conceito: a ideia de propriedade, a de pertencimento e a de direito. Assim, podemos nos referir ao bem privado como algo que pertence a alguém ou a algum grupo intitulado proprietário que tem sobre ele o direito ao usufruto; um direito de propriedade decorrente de seus próprios esforços concernentes a pessoas físicas e jurídicas. Esse direito confere ao proprietário uma obrigação moral de o reivindicar sempre que lhe aprouver; mas não da forma como quiser.

E por que não da forma como quiser? Porque acima do direito da pessoa individual, seja física ou jurídica, está o direito coletivo ou direito da coletividade. Esse direito é reivindicado originalmente pelo Estado: o representante da coletividade; o ente abstrato de poder superior que nos submete a todos e a todas porque ele tem soberania sobre o seu território e todas as pessoas que habitam esse território sujeitam-se às suas leis.

Imagem de fundo amarelo informando que acima do direito da pessoa individual está o direito coletivo ou direito da coletividade. Esse direito é reivindicado originalmente pelo Estado, o ente abstrato de poder superior que nos submete a todos e a todas porque ele tem soberania sobre o seu território e todas as pessoas que habitam esse território sujeitam-se às suas leis.


Pelas leis e em nome do direito coletivo, é o Estado quem define como podemos dispor dos nossos bens privados. Isto pela seguinte razão: a cada pessoa individualmente é cobrado o dever de contribuir com o conjunto da sociedade à qual pertence; ou seja, cada pessoa é chamada a contribuir com o bem-estar de todas as demais pessoas, com o bem-estar do conjunto da população. A isso se chama contribuir com a coletividade, com o Bem Comum.

Mas é impossível que façamos isso isolada e deliberadamente enquanto indivíduo. Então o Estado reivindica o direito de fazer essa cobrança de forma coercitiva por meio das leis. Assim, ele obriga todas as pessoas a contribuírem. E uma forma de cobrar essa contribuição é por meio dos mais variados impostos aos quais nos submetemos por meio das leis. Com os impostos, o Estado retira de nós como pessoa individual uma parcela de nosso bem privado, muitas vezes antes mesmo que nos utilizemos dele.

A parcela retirada dos bens privados por meio dos impostos passa a ser de domínio do Estado sob a insígnia de “bens públicos” ou “bens de domínio público”. O Estado administra esses bens por meio de seus governantes. Os governos são, pois, os administradores dos bens públicos, dos bens de domínio do Estado em seus respectivos âmbitos da federação: estados, municípios e União. Tudo sob os preceitos das leis, uma vez que para cada ação do Estado há uma lei que a assegura legitimamente.

Para melhor compreensão, vejamos no diagrama essa relação entre os bens privados, os bens públicos e o bem comum.

Diagrama sobre bens privados em relação aos bens públicos e ao Bem Comum e estes em 
relação ao Estado e à sociedade por meio dos Serviços Públicos.


Observemos no diagrama que do conjunto dos bens privados de propriedade individual da população são cobrados impostos de diferentes naturezas como contribuições compulsórias nas respectivas instâncias do Estado. Essas contribuições alimentam o erário ou tesouro do Estado, os conhecidos “cofres públicos” como às vezes o denominamos. Sob a tutela do Estado, somam com o orçamento geral com o qual o governo do momento organiza e mantém a Administração Pública e define os distintos serviços destinados à população. Tornam-se Bens Públicos destinados à coletividade; isto é, bens coletivos no Poder do Estado e administrados por sucessivos governos. Essa administração é sempre na perspectiva do Bem Comum. Se não é, deveria ser. 


DOS BENS PÚBLICOS AO BEM COMUM E AO DIREITO DA COLETIVIDADE

Observemos ainda no diagrama que o Bem Comum advém do conjunto dos bens privados revestidos da sua natureza pública – os bens públicos – em prol de um novo interesse: o interesse público ou interesse da coletividade. Significa que cada pessoa que contribuiu individualmente com a constituição dos bens públicos – através dos impostos – tirou uma parte do seu “todo” particular para compor um novo todo, o Todo Coletivo. 

Imagem de fundo verde amarelo informando que o Bem Comum advém do conjunto dos bens privados revestidos da sua natureza pública – os bens públicos – em prol de um novo interesse: o interesse público ou interesse da coletividade. Significa que cada pessoa que contribuiu individualmente com a constituição dos bens públicos – através dos impostos – tirou uma parte do seu “todo” particular para compor um novo todo, o Todo Coletivo.


Esse Todo é composto do conjunto dos bens públicos naturalmente constituídos como de uso comum. Por isso denominados Bem Comum, o bem que assegura à coletividade o direito aos bens públicos cuja constituição traz em si esse direito.

Por coletividade entendamos o conjunto da população de um determinado território ou lugar em nome da qual e para a qual o Estado responsável por esse lugar destina a sua ação por meio de seus governantes.

Assim, quando falamos de coletividade, referimo-nos ao ente abstrato representativo de toda a população à qual confere o direito de uso dos bens administrados pelo Estado: os bens públicos destinados ao conjunto da população; logo, pertencentes à coletividade, ao Bem Comum, já que de uso comum a toda a população indistintamente.

Por isso, todos os habitantes do território sob o Poder do Estado têm direito ao usufruto dos bens públicos desse território na mesma medida relativamente ao grau da sua necessidade pelo simples fato de integrantes da sociedade detentora dos bens. Podemos dizer então que o Bem Comum é o bem sobre o qual recai o direito da coletividade como direito de uso inerente a toda a população conforme a necessidade individual.

Significa então que o uso ou usufruto dos bens públicos pela população somente ocorre enquanto direito: o direito coletivo ou da coletividade. É um direito que é assegurado natural e indistintamente ao conjunto da população. 

Em seu sentido genérico, direito é uma predisposição natural da pessoa humana intrínseca ao seu livre arbítrio ou à sua liberdade natural. Como cada pessoa é dotada de livre arbítrio, é também igualmente dotada de direito ao uso de sua liberdade da mesma forma que as demais. Como cada pessoa dispõe naturalmente de livre arbítrio e o direito de usufruir dele, não pode impedir que as demais também o façam.

Imagem de fundo verde informando que em seu sentido genérico, direito é uma predisposição natural da pessoa humana intrínseca ao seu livre arbítrio ou à sua liberdade natural. Como cada pessoa é dotada de livre arbítrio, é também igualmente dotada de direito ao uso de sua liberdade da mesma forma que as demais. Como cada pessoa dispõe naturalmente de livre arbítrio e o direito de usufruir dele, não pode impedir que as demais também o façam.


No entanto, administrados pelo Estado, os bens públicos são desprovidos de particularidades expressas no princípio do um para um, e sempre revestidos em princípios amplos e altruístas expressos na dimensão geral do um para muitos; ou seja, cada bem público é destinado ao uso ou usufruto de muitas pessoas, de toda a população conforme a necessidade de cada pessoa pela parte que lhe cabe; logo, são bens sempre destinados à coletividade, ao interesse público; por isso, ao Bem Comum.

Mas quando nos referimos a Bens Públicos e a Bem Comum, referimo-nos a algo nem sempre de fácil compreensão para parte da população. Isto pela seguinte razão: a falta de clareza para muitas pessoas quanto à propriedade ou ao proprietário do bem. Embora muitas pessoas compreendam que a população é a destinatária ou a proprietária dos bens públicos, há quem acredite que eles não pertencem a ninguém.

No entanto, devemos sempre lembrar que se a coletividade é representada no Todo Coletivo e esse todo é o Bem Comum, como já dito, significa que a cada pessoa cabe apenas uma parte desse Todo na medida da sua necessidade; isto é, cabe-lhe o direito a apenas uma parte daquilo que é de direito de todos. Assim, o Bem Comum se efetiva então como direito ao usufruto dos bens ou riquezas do país destinados a toda a população em observância ao seu princípio ou ideal coletivo.

Pelo princípio do Bem Comum, o direito de uma pessoa respeita o direito da outra na mesma medida da sua necessidade. Subjaz a essa compreensão a ideia de que se eu tenho direito a essa parte do Todo Coletivo, a outra pessoa indiferenciada e anônima também o tem de igual forma e não posso desejar que tenha menos nem agir de modo a subtrair a parte que lhe cabe. Eis então o princípio pelo qual uma vez observado poderíamos alcançar a justiça social.

Na seção a seguir, vejamos um exemplo que retrata o modo como se efetivaria o bem comum a partir de um bem público destinado à população, mas que nem sempre chega ao seu destino devido à corrupção que se tornou usual em serviços públicos.

 

QUANDO A CORRUPÇÃO INVIABILIZA A REALIZAÇÃO DO BEM COMUM

 

Suponhamos que um determinado órgão público receba do Estado uma caixa de agulha com mil unidades. Pelo princípio do bem comum, cada agulha é um bem coletivo; por isso, pertence a toda a população na medida da necessidade de cada pessoa.

Por conseguinte, dependendo das condições pessoais de saúde, uma pessoa pode precisar de dez ou mais agulhas para resolver o seu problema de saúde; outra pessoa, pode necessitar de apenas uma agulha e ter igualmente o seu problema de saúde resolvido.

E pode acontecer ainda de muitas pessoas nunca necessitarem de usar nenhuma das agulhas porque não tiveram problemas de saúde que as requisitassem. No entanto, na hora que necessitarem, é seu direito dispor de uma ou mais agulhas que lhes atenda conforme a sua necessidade.

Se assim não for, podemos dizer que o seu direito foi subtraído ou negligenciado ou pelo Estado, que não supriu aquela necessidade, ou por alguém que desviou as agulhas de seus destinatários por algum mecanismo de corrupção.

Isto porque, não raras vezes, o que ocasiona a falta de produtos em órgãos públicos não decorre apenas da omissão do Estado em não suprir aquela necessidade, mas também da sua negligência ou conivência ao não coibir as variadas formas de corrupção nos serviços públicos. Corrupção essa evidenciada nos desvios embutidos em todo o processo ou percurso de distribuição dos produtos ou recursos.

Esses desvios se verificam desde a aquisição do produto pelo Estado (pela corrupção em licitações) até a entrega do produto ao público destinatário, entrega essa mediada pelo órgão público que o atende. No órgão, o produto já chega às vezes desfalcado em sua totalidade.

Mesmo assim, é onde muitas vezes se observa ainda a corrupção de servidores ou servidoras públicas e públicos quando na lida direta com o produto. Neste caso, trata-se de uma corrupção que se verifica por meio da apropriação indébita, quando se toma algo que não lhe pertence para usufruir em benefício próprio ou em prol de outro de suas relações pessoais. 

Diante de tal forma de corrupção, podemos dizer então que a pessoa tomou o bem público (que no exemplo citado é a agulha) como bem privado e dele fez uso indevido pela ação de desvio e por se tratar de um bem de direito da coletividade.

Em conteúdo posterior, apresentarei outros exemplos de corrupção em serviços públicos que muitas vezes não são sequer percebidos como corrupção de tão usuais que se tornaram. É a corrupção das pequenas coisas que para fugir delas basta nos fazer a mesma pergunta referida à das grandes: esse bem é meu? Eu tenho propriedade sobre ele? Se a resposta for não, deixe-o onde está. O ideal do bem comum agradece assim como a população em suas necessidades.

Você terminou de conhecer o quarto conteúdo do caminho SMF Fé e Política.

Espero que tenha gostado e acompanhe os conteúdos deste caminho.


A você, meus agradecimentos.

Deus esteja com você!

Sônia Ferreira

Teresina, 30 de julho de 2021.